A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido para alterar a logística de visitas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”, além de solicitar autorização para a realização de caminhadas monitoradas dentro da unidade.
No ofício, assinado pela comandante-geral da PMDF, coronel Ana Paula Barros, a corporação propõe que as visitas de presos classificados como “custodiados sensíveis” deixem de ocorrer às quintas-feiras e passem para os sábados. Segundo a PM, nos dias úteis há maior circulação de servidores e concentração de atividades administrativas, o que coincide com o dia de visitação dos demais detentos da unidade.
De acordo com o documento, esse cenário “amplia de forma significativa os riscos à segurança institucional, dificulta a adequada segregação dos ambientes e compromete o controle rigoroso da circulação de pessoas no interior da unidade”. A mudança para o sábado, afirma a PMDF, reduziria o fluxo interno e permitiria maior previsibilidade operacional.
Além da alteração no calendário de visitas, a corporação pediu autorização para que Bolsonaro realize caminhadas “de forma controlada e restrita, em locais previamente definidos e adequados sob o aspecto da segurança”, como o campo de futebol ou a pista asfaltada nos fundos da Papudinha. O pedido atende a uma solicitação do próprio ex-presidente e é respaldado por recomendação médica.
No ofício, a PM destaca que os espaços indicados “oferecem melhores condições de controle, visibilidade e previsibilidade dos deslocamentos, permitindo vigilância contínua e pronta intervenção do efetivo policial, além de afastar qualquer contato com outros custodiados”.
Outro ponto tratado no documento é a assistência religiosa. Moraes já havia autorizado que Bolsonaro recebesse atendimento semanal após a transferência da Superintendência da Polícia Federal para a Papuda, em janeiro. Agora, a PMDF solicita que esse tratamento seja estendido a outros presos considerados sensíveis.
“No tocante à assistência religiosa, informa-se que esta é prestada ordinariamente no NCPM pela Capelania da PMDF, nas vertentes evangélica e católica, observadas as rotinas administrativas e as condições de segurança da unidade”, afirma o texto.
A PMDF também comunicou ao STF que a distribuição de medicamentos aos custodiados, inclusive a Bolsonaro, ocorre de forma padronizada e pode contar com o auxílio de presos do regime semiaberto, como mecanismo de remição de pena. Segundo a corporação, “a distribuição ocorre de maneira padronizada e controlada, alcançando todos os custodiados do Núcleo, sempre sob supervisão direta do efetivo policial responsável”.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, incluindo organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Desde o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, o ex-presidente passou por diversas cirurgias, a mais recente em dezembro do ano passado, para tratar uma hérnia inguinal bilateral. Após a alta, a equipe médica recomendou dieta fracionada, uso de medicamentos, controle da pressão arterial e medidas de prevenção contra quedas.
