PL cresce expulsões do Centrão para se tornar mais à direita
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

PL intensifica expulsão do Centrão para ser maior sigla de direita do Brasil

Valdemar da Costa Neto confirma que Jair Bolsonaro escolheu Flávio como candidato do PL à Presidência em 2026; movimento reorganiza tabuleiro da direita.

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Por Redação

O Partido Liberal (PL), sob a liderança de Valdemar Costa Neto, está intensificando um processo para expurgar sua “ala centrão” e se consolidar como o maior partido conservador e de direita do Brasil. O objetivo, segundo o líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), é chegar às eleições de 2026 com o partido “quase 100% ideológico”.

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A mais recente ameaça de expulsão recai sobre o deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP), um dos mais fiéis aliados históricos de Valdemar e ministro dos Transportes na gestão Dilma. A medida foi tomada após Rodrigues fazer elogios ao ministro do STF Alexandre de Moraes e declarações críticas a Donald Trump.

Embora Valdemar tenha publicado uma nota anunciando a saída do deputado, Rodrigues ainda permanece filiado e aguarda a notificação formal. A situação é notável, pois Rodrigues chegou a ocupar interinamente a presidência do partido enquanto Valdemar esteve preso, condenado por participação no mensalão no governo Lula 1.

“O Valdemar já trocou o chip há muito tempo, não vejo ninguém mais conservador e de direita que ele. Tem nosso total apoio”, disse Sóstenes Cavalcante à Folha de SP. 

Outro quadro histórico que pode deixar a legenda é o deputado Wellington Roberto (RN), 20 anos no PL e que liderou o partido na Câmara de 2019 a 2021. “Toda mudança, quando é rápida demais, é preocupante”, critica.

O deputado Robinson Faria é outro que deixou o partido por não se encaixar na legenda. Segundo Faria, o posicionamento do partido contra a reforma tributária, que ele votou a favor, foi decisivo para saída. “Meu voto é mais ao centro, e o PL estava com uma pauta que eu não concordava”, justificou.

Sóstenes Cavalcante explica que as expulsões são um sintoma do “divórcio” entre o antigo PL, que aderiu a governos de diferentes espectros políticos, e o novo perfil ideológico. O líder da bancada afirma que, dos 25 deputados mais “centristas” eleitos em 2022, cerca de 15 já deixaram a sigla.

Eles migraram para partidos como PP, Republicanos, MDB e PSB. A expectativa é que o restante saia na próxima janela partidária, no primeiro trimestre de 2026. Por outro lado, o PL planeja zerar as perdas com a entrada de cerca de 30 deputados bolsonaristas de partidos como União Brasil, PSD, PP e Podemos.

Essa reconfiguração representa uma nova fase para o PL. Com a chegada do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, a sigla saltou de 33 deputados eleitos em 2018 para 99 em 2022, o que resultou em uma injeção significativa nos fundos eleitoral e partidário.

Apesar da busca por uma identidade mais alinhada com o bolsonarismo, a trajetória do PL é marcada por guinadas políticas. O partido é uma das “crias” da Arena, sigla que apoiava o regime militar.

Já em 2002, a legenda formou uma aliança com o PT, indicando José Alencar como vice na chapa de Lula. Nos anos seguintes, o PL esteve na órbita dos governos petistas. A sigla também teve um momento de ascensão em 2010, quando o palhaço Tiririca se tornou o deputado mais votado do país.

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