Henrique Galvão afirma “sou só um piloto” em oitiva sobre fraudes
“Olha a perda de tempo que nós estamos tendo nessa CPMI. Em vez de trazermos aqui pessoas envolvidas com os roubos, estamos ouvindo um piloto de avião”, afirmou o deputado federal Zé Trovão (PL-SC), citando a própria fala do piloto Henrique Traugott Binder Galvão: “Ei até acredito que ele levou propina no avião, mas não pode ser responsabilizado por crimes nesta comissão, é prestador de serviços, é só um piloto”.
O presidente da Comissão, senador Carlos Viana (Podemos), defendeu a importância do depoimento do piloto Henrique Traugott Binder Galvão, após questionamentos de parlamentares.
Viana afirmou que “em investigações complexas, detalhes aparentemente pequenos podem ser decisivos”.
O depoimento de Galvão, realizado neste momento (28), tem frustrado membros da CPMI do INSS, com deputados e senadores abrindo mão de perguntas diante da falta de revelações. O piloto compareceu sem advogado e sem habeas corpus, respondendo às questões da comissão, mas afirmou desconhecer transações suspeitas, como transporte de dinheiro ou objetos de valor em voos.
Galvão comandou aeronaves vinculadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade investigada na Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), mas não é investigado na ação. Durante a oitiva, detalhou transações de aeronaves que despertaram suspeitas:
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Beech Aircraft PT-OOV: adquirido pelo deputado Euclides Peterson em janeiro de 2021 por R$ 320 mil, vendido a Vinícius Ramos, ligado à Conafer, por R$ 400 mil em março de 2023, e repassado a Silas Vaz em junho de 2025 por R$ 700 mil.
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Cessna PR-ATM (Papa Romeo Alpha Tango Mike): comprado inicialmente por Vinícius Ramos e repassado a Silas Vaz em junho de 2025.
O piloto informou que não voou essas aeronaves após a transferência para Silas Vaz. Dados da CPMI mostram que Vinícius Ramos adquiriu o Beech Aircraft por R$ 1 milhão em janeiro de 2025 e revendeu a Silas Vaz por R$ 2,5 milhões em junho. Paralelamente, Euclides Peterson transferiu R$ 2,5 milhões a um instituto entre dezembro de 2022 e 2023, sugerindo possível ligação com a compra das aeronaves.
Segundo o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Silas Vaz, residente no Recanto das Emas e beneficiário do Bolsa Família, adquiriu dois aviões avaliados em R$ 3,2 milhões, levantando suspeitas de uso de laranjas. A CPMI avalia convocar Silas Vaz e Vinícius Ramos para prestar esclarecimentos, já que ainda não atenderam solicitações da comissão.
