A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar que todo o material apreendido na investigação do Banco Master permaneça lacrado e sob custódia do Supremo gerou preocupação entre investigadores.
Segundo pessoas com acesso à apuração, a medida pode provocar risco de perda de provas relevantes, especialmente dados armazenados em celulares e outros dispositivos eletrônicos recolhidos nas operações da Polícia Federal.
De acordo com investigadores, o procedimento padrão da PF é realizar a extração do conteúdo desses aparelhos logo após a apreensão. O objetivo é evitar danos físicos, bloqueios por senha, degradação de dados ou perda de informações digitais sensíveis.
Nesta quarta-feira (14), a PF deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Um dos alvos foi Daniel Vorcaro, controlador da instituição.
Em novembro do ano passado, Vorcaro chegou a ser preso na primeira fase da operação, quando se preparava para embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi solto ainda naquele mês.
Também nesta quarta-feira, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi detido em um aeroporto quando seguia para Dubai. Ele foi liberado em seguida.
Nos despachos que autorizaram as diligências, Toffoli determinou que todos os materiais apreendidos nesta fase e na anterior sejam “lacrados” e “acautelados” nas dependências do STF até “ulterior determinação”. A ordem abrange celulares, notebooks, documentos e outros itens recolhidos em 42 endereços ligados aos investigados.
Durante a operação, os agentes apreenderam carros e relógios de luxo, R$ 98 mil em dinheiro vivo, um revólver, além de dispositivos eletrônicos e documentos considerados relevantes para o avanço das investigações.
A Polícia Federal ainda não se manifestou oficialmente sobre os impactos da decisão no andamento das perícias do material apreendido.
O gabinete do ministro Dias Toffoli divulgou há pouco uma nota sobre o assunto, afirmando que os materiais apreendidos serão “devidamente periciados”.
“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e que os materiais serão devidamente periciados pelas autoridades competentes.”
