O Banco de Brasília (BRB) afirmou, em nota divulgada ontem (13), que o governo do Distrito Federal sinalizou a possibilidade de um “aporte direto” para recompor o capital do banco diante de eventuais prejuízos relacionados a operações com o Banco Master.
“Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do Banco”, diz a nota.
Entre 2024 e 2025, o BRB aportou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. O Ministério Público aponta indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.
Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir parte relevante do Banco Master. A operação teve apoio do governo do Distrito Federal, controlador do banco público, mas foi barrada pelo Banco Central do Brasil.
Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura a aquisição, pelo BRB, de carteiras de crédito problemáticas do Master. A investigação busca esclarecer falhas em processos internos de análise, aprovação e governança.
Em novembro, operação da PF e do Ministério Público afastou o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, posteriormente demitido.
Além das apurações da PF, do MP e do Banco Central, a nova direção do BRB e uma auditoria independente investigam as transações. Até o momento, não há conclusões divulgadas.
Na mesma nota, o BRB afirmou que “permanece sólido e operando normalmente” e informou patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões. Os valores são inferiores ao total aportado no Banco Master no período investigado.
Ibaneis já havia citado garantia
Em novembro de 2025, após a operação da PF, o governador Ibaneis Rocha (MDB) defendeu o então presidente do BRB e atribuiu os erros a “excesso de confiança”. Na ocasião, também sinalizou apoio do governo ao banco.
“Eu acredito agora que a recuperação do banco é imediata, não há prejuízo para os clientes nem para os investidores. O BRB tem solidez e liquidez, e tem um governo do Distrito Federal que também tem patrimônio para garantir qualquer operação”.
Crise orçamentária em paralelo
A sinalização de aporte ocorre no mesmo período em que o governo do DF afirma enfrentar crise orçamentária. No último dia 7, Ibaneis declarou que o orçamento da Saúde “não suportou todos os gastos” e que seriam necessários cortes.
Na ocasião, havia atrasos superiores a R$ 100 milhões em repasses ao Hospital da Criança de Brasília. O atendimento foi afetado e a situação começou a ser regularizada após decisão judicial.
Em entrevistas posteriores, o governador voltou a citar cenário de crise econômica, afirmou não haver “expectativa de melhora” e mencionou frustração de receita de cerca de R$ 2 bilhões em 2025.
A avaliação foi contestada pela Associação de Auditores da Receita do DF (Aafit), que informou crescimento de 6,6% na arrecadação tributária em 2025 na comparação com 2024. Segundo a entidade, “a arrecadação tem se mantido pujante e em crescimento”.
