A Polícia Federal investiga se o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) utilizaram empresas privadas, entre elas um posto de combustíveis e uma concessionária, para receber ou movimentar recursos provenientes de emendas parlamentares. As informações são do jornal O Globo.
A apuração tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e levou à expedição de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino na última quarta-feira (25).
Segundo a representação da PF, verbas indicadas pelos parlamentares abasteceram contratos firmados com a Liga Engenharia, empresa ligada a familiares do ex-senador.
Parte dos repasses teve origem em convênios celebrados entre a Prefeitura de Petrolina e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). À época, o município era administrado por Miguel Coelho, filho de Bezerra.
De acordo com os investigadores, após o ingresso dos valores na construtora, houve transferências ao Posto Petrolina, pertencente à família da esposa do ex-prefeito.
No documento enviado ao Supremo, a PF afirma que “não há como se descartar a hipótese de que tal dinâmica esteja sendo empregada para a restituição de recursos públicos em favor da família que foi a responsável pela disponibilização dos recursos em primeiro lugar”.
A defesa dos dois parlamentares informou que ainda não teve acesso integral aos autos, mas declarou que “todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados, tendo sido observada a lisura do procedimento”.
A nota acrescenta: “Todos os fatos serão devidamente esclarecidos e, ao final, ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados”.
Os advogados também ressaltaram que a Procuradoria-Geral da República se manifestou contra os mandados solicitados pela Polícia Federal.
Outro eixo da investigação envolve a concessionária Bari Automóveis. Relatórios apontam “elevadas movimentações de dinheiro em espécie” e operações fracionadas.
Em nota, a empresa declarou que Bezerra e seus filhos “nunca foram sócios, formais ou ocultos, nem tampouco detêm qualquer poder ou ingerência sobre a referida empresa” e que “não há, portanto, qualquer elemento que permita inferir qualquer conduta ilícita da empresa e de seus sócios”.
