PF expõe conversas privadas de Tagliaferro e depois remove material da internet - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

PF expõe conversas privadas de Tagliaferro e depois remove material da internet

Segundo a defesa, o procedimento virtual fere os princípios da ampla defesa e do contraditório
Foto: Reprodução

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Por Adrian Almeida

A Polícia Federal manteve por quase duas semanas, em uma pasta pública na internet, arquivos com conversas íntimas entre o perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE, sua mulher e seu advogado. O conteúdo, que deveria estar protegido por sigilo legal, foi retirado do ar nesta quarta-feira (16), após vir à tona a exposição de mensagens em que Tagliaferro demonstrava temor de ser preso ou até morto caso revelasse informações sensíveis sobre seu trabalho.

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As conversas fazem parte de um inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria de Moraes, que investiga o ex-assessor por suposta violação de sigilo funcional. O caso teve origem no vazamento, à imprensa, de diálogos entre Tagliaferro e membros da equipe do ministro, revelando orientações informais para elaboração de relatórios destinados a embasar a remoção de conteúdos e perfis nas redes sociais.

Os arquivos com as conversas pessoais foram capturados durante uma devassa autorizada por Moraes em novembro de 2023, que incluiu a quebra do sigilo telemático de Tagliaferro e de sua esposa. A PF também teve acesso às conversas entre o perito e sua defesa, alegando que o advogado poderia estar envolvido em possíveis atos ilícitos. No entanto, a própria investigação não apontou qualquer indício contra o defensor.

Apesar disso, o material, que deveria ter permanecido sob segredo de Justiça, foi anexado a um relatório público, acessível por link direto informado em documento oficial. A exposição do conteúdo violaria, segundo especialistas ouvidos sob reserva, tanto o direito constitucional à intimidade quanto os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), podendo acarretar punições aos responsáveis.

A reportagem da Gazeta do Povo questionou a Polícia Federal sobre a exposição dos dados desde o dia 11, sem obter resposta. Repetiu o questionamento após a retirada do conteúdo do ar nesta quarta-feira, mas novamente não foi atendida. O gabinete de Moraes também foi procurado, sem retorno até a publicação.

Tagliaferro foi assessor técnico de Moraes no TSE entre agosto de 2022 e maio de 2023, e foi demitido após ser preso por causa de um desentendimento doméstico. As mensagens vazadas pela Folha de S.Paulo, que deram início ao inquérito, mostravam como auxiliares do ministro instruíam informalmente a produção de relatórios contra supostas fake news.

O inquérito já foi concluído com o indiciamento do perito por violação de sigilo funcional. Agora, o caso está nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se oferece denúncia ou pede o arquivamento.

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