PF: esquema de lavagem servia a várias organizações criminosas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

PF: esquema de lavagem servia a várias organizações criminosas

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Estrutura financeira operava como sistema paralelo e movimentava bilhões

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou agora há pouco (28) que o esquema de lavagem de dinheiro desarticulado nas operações Carbono Oculto, Quasar e Tank não estava restrito a uma facção. Segundo ele, a estrutura era ampla, funcional e disponível para diferentes organizações criminosas, operando de forma paralela ao sistema financeiro oficial.

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“Não é uma lavagem de dinheiro de determinado grupo, de determinada facção criminosa. É um esquema de lavagem de dinheiro que, infelizmente, poderia ser utilizado por qualquer um: sonegador, traficante, toda sorte de criminoso que quisesse se beneficiar desse modelo”, declarou Rodrigues, em coletiva em Brasília, ao lado dos ministros da Justiça, Ricardo Lewandowski, e da Fazenda, Fernando Haddad.

De acordo com o diretor, a rede usava múltiplas camadas, como fundos de investimento com estruturas societárias complexas e blindagem patrimonial. “Essas estruturas funcionavam como lavanderias financeiras profissionalizadas. Não apenas para o PCC, mas como serviços disponíveis para outras redes criminosas, inclusive ligadas ao tráfico de drogas e à sonegação”, afirmou.

Rodrigues destacou que o modelo de integração entre órgãos foi essencial para o sucesso da operação. “Essa operação mostra a importância do trabalho conjunto e do respeito às atribuições de cada órgão. Receita Federal, Polícia Federal, Ministérios Públicos, todos atuando em sinergia. Esse é o caminho para enfrentar o crime organizado em sua nova forma”, disse.

A PF deflagrou as operações Quasar, em São Paulo, e Tank, no Paraná, com foco em fundos de lavagem e adulteração de combustíveis. Já a Carbono Oculto foi liderada pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, com foco na infiltração do PCC na economia real e na estruturação financeira via fundos e fintechs.

Balanço da operação

  • 141 veículos apreendidos
  • 1.500 veículos sequestrados judicialmente
  • R$ 300 mil em dinheiro vivo apreendidos
  • Bloqueio de mais de R$ 1 bilhão
  • 21 fundos de investimento bloqueados
  • 41 pessoas físicas e 255 pessoas jurídicas como alvo
  • 192 imóveis sequestrados
  • 2 embarcações apreendidas

Segundo Rodrigues, a investigação identificou fracionamento de depósitos, empresas de fachada, operadores financeiros, contas-bolsão e fraude na venda de combustíveis. Os crimes apurados incluem lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, organização criminosa e adulteração de combustíveis.

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