O trio mantinha empresas de fachada e movimentava recursos ilícitos mesmo após a Operação Sem Desconto
Relatório da Polícia Federal aponta que o lobista Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido como o “Careca do INSS”; o ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho; e a sua esposa, Thaísa Hoffmann, organizaram uma complexa estrutura para fraudes contra o INSS, apropriando-se indevidamente de valores dos beneficiários e causando um prejuízo estimado em bilhões de reais.
Segundo a PF, o grupo mantinha empresas de fachada, simulava contratos e movimentava recursos ilícitos mesmo após a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril de 2025. Os três foram presos na manhã desta quinta-feira (13).
“Há probabilidade concreta de novas dilapidações, tendo em vista a persistência das estruturas empresariais, a liquidez dos ativos e a capacidade financeira dos investigados, que continuam a manter redes de interpostas pessoas e empresas operacionais aptas a reencaminhar recursos ilícitos”, diz o trecho do documento.
A corporação também destacou episódio de ocultação de material em um locker alugado no dia da operação policial, classificado como ato direto de obstrução.
O documento registra que o fato “constitui ato concreto de obstrução à persecução penal, suficiente, por si só, para caracterizar o periculum libertatis e justificar a decretação da prisão preventiva.”
Funções no esquema
No caso do Careca do INSS, a PF apontou função operacional e estratégica no núcleo empresarial responsável por ocultar e circular valores ilícitos. Ele atuaria por meio das empresas PROSPECT Consultoria Empresarial Ltda. e PLURAL Intermediações de Negócios S.A., ligadas a sociedades de Thaísa e Virgílio. As duas empresas seguem ativas.
O material cita conversas recentes que mostram interlocução contínua entre Antunes e Thaísa para “ajustar contratos e alinhar repasses” mesmo após a operação.
A PF afirma que ele também controlava interpostas pessoas e empresas de fachada, com emissão de notas fiscais retroativas e reprocessamento contábil para “compatibilizar” períodos sob investigação. Os elementos foram descritos como indicativos de persistência delitiva e risco de novas práticas.
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A autoridade policial defendeu que medidas alternativas seriam insuficientes diante da estrutura financeira e operacional do grupo. Registrou que a proibição de contato, limitações empresariais ou recolhimento domiciliar não impediriam novas movimentações, nem neutralizariam a influência dos investigados sobre operadores do esquema.
O relatório também apontou indícios de autoria e materialidade por meio de contratos simulados, movimentações financeiras irregulares e aquisição de bens incompatíveis com a renda declarada. Para a PF, apenas a prisão preventiva seria capaz de interromper a continuidade das atividades ilícitas, considerando a sofisticação do modelo utilizado e a permanência das empresas em funcionamento.
Virgílio foi descrito como participante ativo dos atos de dissimulação patrimonial, com movimentações suspeitas mantidas após o início da operação.
Thaísa foi identificada como responsável pela gestão operacional e financeira do núcleo de lavagem, administrando empresas usadas para emitir notas falsas, simular contratos e movimentar recursos provenientes das fraudes previdenciárias.
Ela também adquiriu imóveis de alto padrão em vários Estados, utilizando interpostas pessoas para ocultar a titularidade. Mesmo sob investigação, celebrou distratos e fez novas movimentações patrimoniais que, segundo a PF, buscavam reduzir o alcance de medidas de sequestro e bloqueio judicial.
