Petro diz “não me importo” após visto dos EUA ser revogado
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Mundo

Petro sugere transferir sede da ONU após revogação de visto

Colômbia convoca embaixador em Washington após Trump acusar Petro de ligação com o tráfico e anunciar novas tarifas
Foto: Reprodução.

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Por Marília Rodrigues

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, minimizou revogação de visto pelos EUA: “Não me importo”

O Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou o visto do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, após falas consideradas “imprudentes e incendiárias” durante um ato em Nova York, na esteira da Assembleia Geral da ONU. De volta a Bogotá, Petro reagiu dizendo que “não se importa” com a medida e que pode viajar ao país com autorização eletrônica por ter cidadania europeia.

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Na manifestação, o colombiano pediu que militares americanos desobedecessem ordens do presidente Donald Trump no contexto da guerra em Gaza, o que elevou a tensão diplomática com Washington.

Em publicações e entrevistas no fim de semana, Petro afirmou: “Cheguei a Bogotá. Não tenho mais visto para viajar para os EUA. Não me importo. Não preciso de visto, apenas de um ESTA, porque não sou apenas colombiano, mas também europeu”. O presidente disse ainda se considerar “livre no mundo”.

A decisão americana ocorre após meses de atritos. Em 2025, a relação entre os dois países já sofria abalos por críticas de Washington à política antidrogas de Bogotá e por choques nas posições sobre Israel e Gaza. A revogação do visto adiciona um novo elemento de fricção a essa agenda.

Na Colômbia, o caso gerou reações imediatas. Integrantes do governo trataram a retirada do visto como violação de regras de imunidade diplomática da ONU — argumento rebatido por autoridades americanas, que apontam as falas de Petro como fator de risco. A controvérsia inclui o debate sobre a natureza do documento revogado e se a condição de chefe de Estado, em missões ligadas à ONU, altera procedimentos migratórios.

ONU no alvo

No embalo das críticas, Petro sugeriu que a sede das Nações Unidas deixe Nova York. “A sede da ONU não pode permanecer em Nova York”, publicou o Petro em sua conta no X. O movimento busca pressionar por mudanças no foro multilateral diante de vetos americanos em resoluções sobre Gaza.

O ponto jurídico mais imediato envolve a distinção entre visto tradicional e a autorização eletrônica (ESTA) — disponível para cidadãos de países do programa de isenção — e se ela se aplicaria a viagens presidenciais. O próprio Petro sustenta que, por possuir cidadania europeia, poderia entrar nos Estados Unidos sem visto. Para chefes de Estado, convites oficiais, credenciais da ONU e notificações diplomáticas costumam balizar deslocamentos, independentemente do tipo de visto.

Do lado político, a Casa Branca e o Departamento de Estado veem as falas em Nova York como incentivo a desobediência militar e incitação, especialmente por citar soldados americanos no contexto do conflito em Gaza. O endurecimento com Bogotá soma-se a medidas recentes na área antidrogas e à disputa narrativa sobre Israel.

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