Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, minimizou revogação de visto pelos EUA: “Não me importo”
O Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou o visto do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, após falas consideradas “imprudentes e incendiárias” durante um ato em Nova York, na esteira da Assembleia Geral da ONU. De volta a Bogotá, Petro reagiu dizendo que “não se importa” com a medida e que pode viajar ao país com autorização eletrônica por ter cidadania europeia.
Na manifestação, o colombiano pediu que militares americanos desobedecessem ordens do presidente Donald Trump no contexto da guerra em Gaza, o que elevou a tensão diplomática com Washington.
Em publicações e entrevistas no fim de semana, Petro afirmou: “Cheguei a Bogotá. Não tenho mais visto para viajar para os EUA. Não me importo. Não preciso de visto, apenas de um ESTA, porque não sou apenas colombiano, mas também europeu”. O presidente disse ainda se considerar “livre no mundo”.
A decisão americana ocorre após meses de atritos. Em 2025, a relação entre os dois países já sofria abalos por críticas de Washington à política antidrogas de Bogotá e por choques nas posições sobre Israel e Gaza. A revogação do visto adiciona um novo elemento de fricção a essa agenda.
Na Colômbia, o caso gerou reações imediatas. Integrantes do governo trataram a retirada do visto como violação de regras de imunidade diplomática da ONU — argumento rebatido por autoridades americanas, que apontam as falas de Petro como fator de risco. A controvérsia inclui o debate sobre a natureza do documento revogado e se a condição de chefe de Estado, em missões ligadas à ONU, altera procedimentos migratórios.
ONU no alvo
No embalo das críticas, Petro sugeriu que a sede das Nações Unidas deixe Nova York. “A sede da ONU não pode permanecer em Nova York”, publicou o Petro em sua conta no X. O movimento busca pressionar por mudanças no foro multilateral diante de vetos americanos em resoluções sobre Gaza.
O ponto jurídico mais imediato envolve a distinção entre visto tradicional e a autorização eletrônica (ESTA) — disponível para cidadãos de países do programa de isenção — e se ela se aplicaria a viagens presidenciais. O próprio Petro sustenta que, por possuir cidadania europeia, poderia entrar nos Estados Unidos sem visto. Para chefes de Estado, convites oficiais, credenciais da ONU e notificações diplomáticas costumam balizar deslocamentos, independentemente do tipo de visto.
Do lado político, a Casa Branca e o Departamento de Estado veem as falas em Nova York como incentivo a desobediência militar e incitação, especialmente por citar soldados americanos no contexto do conflito em Gaza. O endurecimento com Bogotá soma-se a medidas recentes na área antidrogas e à disputa narrativa sobre Israel.
