Parlamentares: prisão de ex-chefe do INSS é só o começo
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Parlamentares dizem que prisão de ex-presidente do INSS é “só o começo”

O presidente da CPMI também criticou a falta de colaboração da base governista nas investigações

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Senadores e deputados afirmam que haverá novas prisões e delações no esquema bilionário de fraudes em aposentadorias

Parlamentares reagiram à prisão do ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, detido nesta quinta-feira (13) durante operação da Polícia Federal (PF) que apura fraudes em aposentadorias e pensões. Ele é suspeito de autorizar descontos indevidos em massa em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

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O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a operação “é apenas o começo” e que “os próximos passos serão ainda maiores”.
“Hoje o país assistiu à queda de um nome que ocupava o cargo máximo do INSS. Agora, está preso. Isso mostra que as investigações estão no caminho certo e que a verdade começa a emergir de forma clara e incontornável. E quero afirmar com toda firmeza. Isso é apenas o começo”, disse em publicação nas redes sociais.

Viana classificou a operação como “urgente e alinhada com a gravidade do que estamos enfrentando” e afirmou que a CPMI seguirá avançando “sem proteção para criminoso, independentemente do cargo, da função ou da influência”.
“Ninguém acessa sistemas públicos sem apoio interno. Ninguém movimenta tanto dinheiro sem omissão ou conveniência dentro do Estado. Há mais gente envolvida. Há mais prisões que virão”, completou.

O senador Sérgio Moro (União-PR) chamou Stefanutto de “arrogante” e o classificou como “mais um ladrão de aposentados e pensionistas”. Ele também ironizou os empresários Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Maurício Camisotti, presos desde setembro como principais operadores do esquema.
“Não ficarão mais sozinhos. Ladrões de aposentados e pensionistas têm que ser presos”, afirmou Moro.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da CPMI, também declarou que os trabalhos estão “só começando”. Ela elogiou a atuação da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do ministro André Mendonça, do STF, que determinou as prisões.
“Estamos só começando! Não importa qual governo serviram, quem os indicou, quanto dinheiro e poder eles têm, na CPMI vamos continuar pedindo a prisão, o bloqueio de bens, a quebra de sigilos e a convocação de todos eles”, afirmou.

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que a operação representa “um grande dia para o Brasil”.

“Ninguém monta um esquema bilionário sem proteção política. A operação de hoje mostra que a verdade venceu o silêncio e começou a derrubar quem se achava intocável”, escreveu o parlamentar.

Durante coletiva em Brasília, Carlos Viana afirmou que a PF “colocou na cadeia o núcleo principal de todos os desvios do INSS” e confirmou que há interessados em firmar delações premiadas.

“Há outras pessoas dispostas a fazer delação, inclusive a esta CPMI”, declarou.

Segundo o senador, os investigados estavam sendo monitorados, e parte do dinheiro desviado foi enviada ao exterior.

“O dinheiro que foi sacado nos bancos, em espécie, está guardado em algum lugar. Existem locais onde eles guardaram os valores, porque, na soma dos desvios, boa parte foi enviada ao exterior”, disse Viana.

Ele destacou que o próximo passo da Comissão será identificar “quem indicou, quem nomeou e o que recebeu para que esse esquema pudesse continuar funcionando, e de que maneira políticos foram beneficiados”.

Entenda a operação

A nova fase da Operação Sem Desconto, conduzida pela PF e pela CGU, cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 63 de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira e o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).

A primeira fase da operação foi deflagrada em abril, quando a PF revelou um esquema de R$ 6,3 bilhões em descontos ilegais aplicados por associações e sindicatos de aposentados. Segundo a CGU, essas entidades afirmavam oferecer assistência jurídica e benefícios, mas não possuíam estrutura real para prestar os serviços.

De acordo com a PF, Stefanutto liberou 34 mil descontos sem base legal, favorecendo entidades investigadas. O ex-presidente é filiado ao PSB e foi indicado ao cargo em 2023 pelo então ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT).

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