Produtores rurais do Rio Grande do Sul completam 20 dias de mobilização cobrando ações do governo federal diante do acúmulo de dívidas nas últimas quatro safras. O grupo mantém bloqueios em ao menos 45 pontos de rodovias estaduais e federais. Os protestos ocorrem em regiões como Cruz Alta, Tio Hugo, BR-116 (entre Porto Alegre e Pelotas) e BR-290 (centro à fronteira).
O principal pedido é a securitização das dívidas, para permitir renegociação com prazos mais longos e acesso a crédito para o próximo ciclo agrícola. Em Cacequi, na Fronteira Oeste, os manifestantes montaram uma horta simbólica no acampamento e afirmam que não vão deixar o local sem resposta.
A previsão é de que os protestos avancem para Porto Alegre no dia 16 de junho, com acampamento de máquinas agrícolas em frente ao Palácio Piratini. A medida é reação à resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que não contemplou a maioria dos produtores nas regras de renegociação.
Carlos Malheiros, presidente do Sindicato Rural de Santiago, afirmou à imprensa que “os produtores não querem inadimplência, mas precisam de prazo para pagar suas dívidas”.
Segundo levantamento da Farsul com instituições financeiras, o agro gaúcho acumula R$ 72,28 bilhões em dívidas. Desse total, R$ 22,28 bilhões foram renegociados, e R$ 50,53 bilhões ainda estão pendentes.
A Aprosoja Goiás manifestou apoio ao movimento. Clodoaldo Calegari, presidente da entidade, defendeu a securitização como “instrumento legal e necessário”.
A Aprosoja Mato Grosso também se posicionou. Em nota, declarou:
“A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifesta publicamente seu apoio à mobilização dos produtores rurais do Rio Grande do Sul, que enfrentam graves prejuízos em decorrência de eventos climáticos extremos e seguem cobrando ações efetivas do Governo Federal. Neste cenário, reforçamos nosso apoio ao Projeto de Lei 320/2025, de autoria do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que propõe a securitização das dívidas rurais como medida emergencial e estruturante. \[…] Reafirmamos que a defesa do produtor rural passa por garantir condições reais para que ele continue produzindo. Produtores que perdem a capacidade de produzir não podem perder também o direito de recomeçar.”
A safra de soja registrou queda de 27,4% em comparação ao ano anterior. A retração produtiva agravou a situação financeira dos produtores. A mobilização já atinge cerca de 150 municípios.