A declaração de uma das organizadoras da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim gerou repercussão após o atentado terrorista que deixou uma pessoa morta e outras 29 feridas nas proximidades do evento, realizado no último sábado (25), na capital alemã. Ao comentar a identidade do autor do ataque, ela afirmou que esperava que o responsável fosse “uma pessoa cristã e branca”, mas concluiu: “não foi”.
Em vídeo, que foi posteriormente divulgado pelo público nas redes sociais, a organizadora afirmou:
“Eu gostaria de receber essas notícias, que um homem entrou em um carro no CSD, e o que foi chocante para mim também, é que o primeiro que eu pensei foi, espero que não seja um canaco, espero que seja uma pessoa cristã branca, mas não foi. E aí se mostra a interseccionalidade, nós não lutamos todas as mesmas lutas, mas nós estamos nos enfrentando em momentos como esse.”
A fala passou a ser amplamente compartilhada nas redes sociais e provocou reações de usuários.
O atentado ocorreu nas imediações do parque Tiergarten, próximo ao trajeto da tradicional Parada do Orgulho de Berlim, conhecida na Alemanha como Christopher Street Day (CSD). De acordo com as autoridades, o suspeito avançou com um veículo contra pedestres e, em seguida, atacou pessoas com uma arma branca. O balanço oficial divulgado pelo Ministério do Interior da Alemanha registra um morto e 29 feridos, alguns em estado grave.
O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, afirmou que “tudo indica” que o caso se trata de um atentado terrorista de motivação islâmica.
O suspeito foi identificado como Abdul Ballout, cidadão alemão de 21 anos, filho de imigrantes libaneses. Segundo a polícia, ele já era conhecido pelas autoridades por manter ligação com círculos islâmicos radicais e havia sido condenado por preparar um grave ato de violência contra a segurança do Estado.
As investigações apontam que Ballout tentou viajar à Síria em 2025 para se juntar ao Estado Islâmico (EI), mas acabou detido no Líbano e posteriormente deportado para a Alemanha. De volta ao país, foi submetido a um processo judicial e deveria iniciar um programa de desradicalização nesta semana.
No domingo (26), durante uma operação para localizá-lo, Ballout foi encontrado por uma unidade especial da polícia em um complexo de jardins no bairro de Spandau. Segundo as autoridades, ele avançou contra os agentes com uma faca e foi baleado, morrendo no local.
ASSISTA AO TRECHO DA FALA DA ORGANIZADORA: