O Lula criticou agora há pouco (29) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante evento em Sergipe, o petista afirmou estar “muito triste” com a medida anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e defendeu que o combate às facções seja conduzido pelas instituições brasileiras.
“Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, declarou Lula.
O presidente também atacou a atuação da família Bolsonaro junto a autoridades americanas e afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas em assuntos internos relacionados à segurança pública e ao combate ao crime organizado.
Ao comentar a decisão norte-americana, Lula afirmou que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça para comunidades brasileiras, mas rejeitou a classificação adotada por Washington.
“Primeiro porque esse tal de Comando Vermelho, esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades e para a sociedade brasileira.”
Minutos antes do discurso, o Palácio do Planalto divulgou nota oficial classificando como “deplorável” a atuação de membros da família Bolsonaro nos Estados Unidos. O governo afirmou que eles estariam defendendo intervenção estrangeira em assuntos internos do país.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz o comunicado.
O presidente ressaltou que o governo aprovou medidas voltadas ao enfrentamento das facções e ao combate ao crime organizado.
“Nós aprovamos uma Lei Antifacção, e aprovamos a Lei para combater o crime organizado, e vamos combater.”
Durante o discurso, Lula também afirmou que armas utilizadas por organizações criminosas entram no Brasil a partir dos Estados Unidos por meio do contrabando. O presidente disse ainda que o governo brasileiro já apresentou informações às autoridades norte-americanas sobre pessoas investigadas ou procuradas pela Justiça brasileira que residem naquele país.
“Quer combater o crime organizado, me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, afirmou.
A manifestação ocorreu um dia após o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar a inclusão do PCC e do Comando Vermelho em listas de organizações terroristas. Segundo o governo norte-americano, as facções estão entre os grupos criminosos mais violentos da América Latina e possuem atuação transnacional.
O anúncio foi feito após uma viagem do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. O parlamentar confirmou ter defendido junto a autoridades americanas a classificação das facções como organizações terroristas, embora o governo dos EUA não tenha atribuído oficialmente a decisão a essa articulação.
Na nota divulgada pelo Planalto, o governo argumenta que medidas unilaterais podem prejudicar a cooperação internacional no combate ao crime, gerar impactos econômicos e afetar o sistema financeiro nacional.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, conclui o texto.
A decisão dos Estados Unidos passa a produzir efeitos imediatos para parte das sanções previstas pela legislação norte-americana. A classificação como Organização Terrorista Estrangeira entrará formalmente em vigor em 5 de junho.