Pão de Açúcar carrega dívida tributária gigantesca
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

“Pão de Açúcar carrega dívida tributária gigantesca”, diz analista

Em entrevista ao Alive, Hugo Queiroz afirma que passivo fiscal e ambiente regulatório pressionam varejo no Brasil

Analista Hugo Queiroz afirma que dívida tributária e regras do sistema brasileiro pressionam empresas como o Pão de Açúcar. Declaração foi feita no programa Alive, de Claudio Dantas
Analista Hugo Queiroz afirma que dívida tributária e regras do sistema brasileiro pressionam empresas como o Pão de Açúcar. Declaração foi feita no programa Alive, de Claudio Dantas.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O analista financeiro Hugo Queiroz afirmou nesta quarta-feira (11), durante participação no programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, que o Grupo Pão de Açúcar enfrenta um passivo tributário elevado e que parte desse cenário está ligado ao sistema fiscal brasileiro.

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O comentário ocorreu após a empresa anunciar um plano de recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Ao explicar a diferença entre recuperação judicial e extrajudicial, Queiroz disse que o processo exige critérios e aprovação dos credores.

“Pra você entrar numa recuperação judicial, você tem que apresentar um plano e dentro desse plano você tem que fundamentar o porquê que você precisa daquela ajuda, daquele apoio pra se reestruturar.”

Segundo ele, o modelo extrajudicial costuma ser menos complexo porque envolve apenas negociação direta com credores.

“Uma recuperação judicial é muito mais danosa pra uma operação do que uma extrajudicial.”

O analista afirmou que, no caso do Grupo Pão de Açúcar, parte do problema está relacionada a passivos fiscais acumulados ao longo do tempo.

“No caso do Pão de Açúcar, você tem uma dívida tributária gigantesca.”

Queiroz também citou o sistema tributário brasileiro como um fator que gera disputas judiciais e aumento de passivos.

“Esse manicômio tributário brasileiro, essas diferenças de ICMS, essas diferenças de ISS de uma cidade, de um município pro outro, acabam gerando no setor varejista inúmeras formas de não pagar naquele momento e depois judicializar.”

Ele acrescentou que mudanças frequentes em decisões judiciais também impactam empresas.

“Muita coisa que está ali nesse passivo tributário tem dedo de STF, tem dedo de desembargador que vira e mexe manda mudar a forma e o cálculo.”

Além do passivo fiscal, Queiroz mencionou fatores de gestão que contribuíram para o cenário atual do grupo.

“Governança também foi um dos fatores ali no legado do Pão de Açúcar.”

Durante a entrevista, o analista afirmou que a operação da companhia evoluiu, mas que o volume de obrigações fiscais e trabalhistas permanece relevante.

“É pagável, difícil do jeito que a operação hoje está e se encontra.”

A advogada Carol Sponza também comentou o cenário econômico e o papel do Estado no financiamento de empresas.

Segundo ela, em um ambiente de mercado plenamente competitivo, empresas que não conseguem manter as operações tendem a sair do mercado.

“Eu como liberal, como uma pessoa conservadora acho que as empresas que não estão conseguindo manter seus negócios têm que fechar para dar espaço para novos entrantes.”

Sponza afirmou que o ambiente regulatório e tributário brasileiro cria obstáculos adicionais para empresas que precisam refinanciar dívidas.

“O que a gente vive hoje no Brasil com esses cenários de juros, com esse manicômio tributário que a gente vive faz com que seja impossível um empresário desse setor que precisando rolar dívidas sobreviva sem o apoio do governo.”

Durante o debate, Claudio Dantas comentou a relação entre empresas e poder público no Brasil.

“As pessoas não conseguem ter dimensão do que que é essa relação promíscua.”

O jornalista afirmou que a proximidade entre setores público e privado influencia decisões econômicas e políticas.

“A gente tem o problema da corrupção que hoje voltou a ser a principal preocupação.”

Segundo Dantas, casos recentes envolvendo o mercado financeiro também expõem práticas que influenciam decisões de investimento.

“Muita gente nunca lê um balanço e faz investimento no mercado financeiro e compra ações de empresas e compra ações de banco.”

O apresentador afirmou que episódios envolvendo empresas e instituições financeiras podem levar investidores a avaliar com mais cuidado a aplicação de recursos.

“Vocês têm a oportunidade agora de fazer, de conhecer o lugar, o pântano que é e pensar duas vezes como você aplica o seu dinheiro.”

Assista ao programa na íntegra

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