Oruam é preso de novo; Jogada de marketing? - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Oruam é preso de novo; Jogada de marketing?

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O rapper Oruam, filho do chefe do Comando Vermelho, Marcinho VP, foi detido pela segunda vez em seis dias nesta quarta-feira (26), no Rio de Janeiro, após mandados de busca e apreensão na casa dele, no Joá. Os mandados buscavam um foragido da Justiça, Yuri Pereira Gonçalves, condenado por organização criminosa. Em apenas uma semana, Oruam acumulou polêmicas e até mesmo a suspeita de usar as detenções como estratégia para promover seu novo álbum.

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Contudo, o filho de VP já foi solto: o cantor assinou um termo circunstanciado e, na saída, disse aos jornalistas que o amigo Yuri, preso em sua casa, “não é traficante”.

“Vou voltar tranquilo para casa. O meu álbum está bombando e está do jeito que eu queria”, finalizou.

A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em sua casa e nos endereços de sua mãe, Márcia Nepomuceno, esposa de VP. Durante a operação, Yuri foi encontrado e preso. Oruam foi detido por favorecimento pessoal.

A polícia investiga o rapper por disparo de arma de fogo em dezembro de 2024, em um condomínio em Igaratá, São Paulo. Na ação de hoje, os agentes apreenderam uma pistola 9mm, que pode ter sido usada no episódio.

 

Narrativas e estratégia midiática

Na quinta-feira passada (20), Oruam foi preso após realizar uma manobra arriscada conhecida como “cavalo de pau” na frente de uma viatura da Polícia Militar, na Barra da Tijuca. O rapper estava com a carteira de motorista suspensa e foi autuado em flagrante. Para ser liberado, pagou uma fiança de R$ 60.720.

Poucas horas depois, ele anunciou o lançamento do álbum “Liberdade”, o que levantou suspeitas de que a detenção poderia ter sido planejada como estratégia de marketing. O “músico” postou uma foto com a família onde o pai aparece como montagem. “Ele sabe que só ganha espaço na mídia se for na página policial”, comentaram críticos.

O impacto foi imediato. Oruam acumulou 7 milhões de plays no Spotify entre sexta (21) e segunda-feira (24). Três de seus clipes lideraram as paradas do YouTube, cantando “bandido que é bandido é sempre respeitado.”

A sucessão de eventos levanta questões sobre a intencionalidade do rapper. Minutos depois que ele chegou à delegacia, fãs apareceram com cartazes. A saída foi estrategicamente registrada e logo veio o anúncio do álbum.

Oruam e sua equipe parecem entender como transformar a polêmica em visibilidade. No Lollapalooza de 2024, ele usou uma camisa pedindo liberdade para Marcinho VP. Agora, usa a página policial para impulsionar sua música.

A defesa do rapper ainda não se pronunciou sobre as novas acusações.

A polêmica também já havia virado pauta política. A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil-SP) propôs uma legislação que proíbe apresentações de artistas que exaltam o crime. O deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) protocolou o projeto na Câmara dos Deputados. Oruam não é citado no texto, mas a parlamentar criou um site chamado “Lei Anti-Oruam” e, em vídeos, deixa claro que o alvo é o rapper.

Oruam lançou uma música chamada “Lei Anti O.R.U.A.M” no álbum novo, onde o cantor se define como o “terror do Estado” e afirma que o “o tráfico tá virando esporte.”

“Aparentemente a Lei Anti-Oruam já existia e estava no código penal”, escreveu o deputado Kim após a prisão do cantor.
O deputado estadual em São Paulo, Guto Zacarias, também comentou sobre a prisão em flagrante desta quarta-feira. “Sabe o que eles encontraram? Além de todo esse ‘arsenal de amor’ [mostrando as armas] aqui, o próprio Oruam e mais uma pessoa. Adivinha quem estava dentro da casa do Oruam, gente? Um foragido do CV. Ou seja, o Oruam, que é filho do líder do CV, dando abrigo e sendo preso por isso, dar abrigo a um membro do CV. É muita coincidência, gente”, ironizou.

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