A Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), criada por Jorge Messias na estrutura da Advocacia-Geral da União, já atuou em 108 casos de suposta divulgação de fake news. Os dados constam de levantamento obtido pela Folha de S.Paulo.
Entre os episódios mais recentes estão publicações envolvendo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que motivaram dois pedidos de retirada de conteúdo à Meta, responsável por plataformas como Instagram e Facebook.
Em outro caso, a procuradoria acionou plataformas após uma taróloga publicar no Instagram que o Lula estaria morto e teria sido substituído por um sósia.
A PNDD não atua por iniciativa própria. O órgão age mediante provocação de instâncias do Executivo, como ministérios, fundações e bancos estatais. Com isso, acumulou pedidos extrajudiciais de remoção de conteúdo, rotulagem ou direito de resposta.
Os principais demandantes foram a Secretaria de Comunicação Social, com 28 solicitações; a própria AGU, com 24; o Ministério da Educação, com nove; e o Ministério da Fazenda, com cinco.
O uso de inteligência artificial aparece entre os temas recorrentes. Em nove ocasiões, a procuradoria classificou como enganosas postagens que utilizaram vídeos com tecnologia de deepfake, que simula rostos e vozes de forma realista.
As representações envolveram, além de Galípolo, os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o assessor especial Celso Amorim. As plataformas atenderam a seis dos pedidos.
A estrutura da PNDD é formada por dez advogados da União e dois servidores. O órgão funciona dentro da Procuradoria-Geral da União e não possui orçamento próprio. Segundo o Portal da Transparência, o programa “defesa da democracia e segurança jurídica para inovação em políticas públicas”, associado às atividades da procuradoria, teve custo de R$ 430 milhões em 2025, o equivalente a 8,5% do total empenhado pela AGU no período.
As ações da PNDD são organizadas em 14 eixos temáticos. Três concentram a maior parte das demandas: “democracia”, voltado a conteúdos relacionados ao Estado brasileiro; “legitimidade da função pública”, que envolve críticas a integrantes do governo; e “economia”, com foco em informações sobre políticas e autoridades da área econômica.
Os dois primeiros respondem por quase 60% das atuações. O eixo econômico soma 32 registros, o equivalente a 29,6% do total.
A criação da PNDD foi anunciada em meio a críticas de opositores, que apontaram risco de controle do discurso público. A indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal reacendeu o debate sobre os limites da atuação da procuradoria, que hoje funciona como canal direto entre o Executivo e plataformas digitais.
