Oposição retoma coleta de assinaturas para CPMI da COP30
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Oposição retoma coleta de assinaturas para CPMI da COP30

Os preços de comidas e bebidas na COP30, em Belém, chamaram atenção já no primeiro dia da cúpula do clima e geraram repercussão negativa nas redes sociais.
Foto: Sergio Moraes/COP30

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Repasses bilionários do governo Lula estão sob investigação no TCU

A oposição na Câmara dos Deputados retomou a coleta de assinaturas para criar a CPMI da COP30, que investigará contratos firmados entre o governo Lula e a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). A entidade espanhola foi contratada sem licitação para organizar a conferência climática em Belém e já recebeu quase R$ 1 bilhão em repasses públicos.

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Segundo documentos apresentados pela Liderança da Oposição, a OEI teria atuado como intermediária de serviços e contratos que deveriam seguir as regras da Lei de Licitações, burlando a legislação por meio de acordos de cooperação internacional. O líder da Oposição, deputado Zucco (PL-RS), afirmou que o modelo configura um “esquema institucionalizado de desvio de recursos públicos”.

A representação apresentada por Zucco ao Tribunal de Contas da União em março segue em tramitação sob relatoria do ministro Bruno Dantas. O processo já identificou indícios de sobrepreço, irregularidades contratuais e descumprimento da legislação brasileira.

“Estamos falando de uma ONG estrangeira que atua como intermediária, sem qualquer vínculo com a ONU, e que se apropriou de quase um bilhão de reais para prestar serviços básicos de hotelaria, montagem de estrutura e logística de eventos, sem qualquer vantagem para a coletividade. É uma afronta à legalidade e ao interesse público”, afirmou o deputado.

Durante a COP30, marcada por falhas de organização e denúncias de superfaturamento, as suspeitas sobre os contratos ganharam força. Zucco disse que “a cada dia fica mais evidente que o dinheiro público foi mal utilizado e que a OEI se tornou um canal privilegiado de repasse para empresas amigas do governo”.

Os documentos anexados à representação indicam que órgãos federais firmaram contratos sem licitação, copiando editais da administração pública e subcontratando empresas já ligadas a ministérios do governo. O relatório aponta indícios de “corrupção internacionalizada”, com repasses disfarçados de “taxas de administração”.

O requerimento para criação da CPMI já conta com cerca de 100 assinaturas e deve avançar com o agravamento das denúncias. “Não se pode normalizar um evento bilionário que virou símbolo de desperdício e má gestão. O TCU precisa agir, e o Congresso deve investigar a fundo quem ganhou e quem lucrou com esse modelo de cooperação fajuto”, concluiu Zucco.

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