Oposição pede impeachment de Dino após decisão sobre CPMI
Brasília, Terça, 23 de junho de 2026
Justiça

Oposição pede impeachment de Dino após decisão sobre CPMI

Pedido foi protocolado em 20 de março e acusa ministro do STF de invadir competência do Legislativo ao suspender quebras de sigilo

Crédito para a foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A oposição no Congresso protocolou, na última sexta-feira (20 de março), um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, após decisão que suspendeu quebras de sigilo aprovadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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A iniciativa foi apresentada pelo líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), com base na Lei nº 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade. O documento foi encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem cabe analisar o pedido.

A denúncia sustenta que Dino teria extrapolado suas atribuições ao suspender deliberações da comissão parlamentar que investiga um esquema de fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas. A CPMI apura descontos indevidos em benefícios previdenciários, com prejuízos estimados em mais de R$ 6 bilhões.

A controvérsia teve origem em decisão proferida no início de março, quando o ministro anulou requerimentos aprovados de forma conjunta pela comissão, incluindo a quebra de sigilos bancário e fiscal de investigados — entre eles, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

Na decisão, Dino apontou que as medidas foram aprovadas sem análise individualizada, o que, segundo ele, comprometeria o devido processo legal. O magistrado também determinou que eventuais dados já obtidos permaneçam sob sigilo até deliberação final do Supremo.

Para o autor do pedido, a intervenção do Judiciário compromete a autonomia do Legislativo e cria obstáculos ao andamento das investigações. A peça também acusa o ministro de agir com motivação política e de interferir em atos internos do Congresso.

O documento afirma que a conduta pode se enquadrar em dispositivos da legislação que tratam de violação ao livre exercício dos Poderes e de comportamento incompatível com o cargo.

Ao final, solicita a abertura de processo no Senado, com a formação de comissão específica e eventual aplicação de sanções, que podem incluir perda do cargo e inabilitação para funções públicas por até oito anos.

A decisão de Flávio Dino ainda deverá ser analisada pelo plenário do STF, mas não há data definida para o julgamento.

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