O analista econômico Ary Alcântara, do programa Alive, do canal Claudio Dantas, criticou à atuação da oposição no Congresso, afirmando que o grupo está “completamente perdido” e ignora a grave situação econômica do país. Segundo o comentarista, o Brasil enfrenta um cenário de “déficits gêmeos”, enquanto o governo Lula aprova benefícios sociais para consolidar sua base eleitoral de olho em 2026.
Alcântara afirmou que não existe uma oposição coesa no Congresso. Ele classificou a situação econômica como insustentável, destacando a existência de “déficit gêmeo”, uma combinação de rombos fiscais e externos que o Brasil não enfrentava desde a pior fase do governo Dilma Rousseff.
Para o analista, o governo está surfando em “manobras para-fiscais” e “manobras orçamentárias” para financiar gastos sociais e, assim, garantir a reeleição.
“A oposição está completamente vendida nisso, literalmente a gente não ouve um parlamentar de oposição fazer alguma análise fundamentada do ponto de vista econômico. Nenhum”, criticou Alcântara. Ele questionou o conhecimento dos parlamentares sobre a dívida pública e os déficits do país. “A maioria dos parlamentares não sabe ler um balanço”, concluiu.
O analista citou a relação direta entre o aumento do emprego e os gastos do governo com o Bolsa Família e outros benefícios sociais, que, segundo ele, chegam a mais de 100 milhões de pessoas. Essa estratégia, na sua visão, leva o país a uma situação “completamente irreversível a partir de 2028″.
Alcântara comparou a situação do Brasil a alguém que se joga de um prédio e, no meio do caminho, diz que está bem. “Nós estamos mais ou menos naquela situação do sujeito que se jogou do [prédio] Empire State e no 50ª andar perguntaram para ele: ‘Como é que você está?’. ‘Estou muito bem, estou voando’. E esses borrachos no chão? ‘Por enquanto tudo certo'”, metaforizou.
Os “déficits gêmeos” mencionados por Alcântara referem-se a um cenário onde há simultaneamente um resultado negativo nas contas públicas e na conta corrente.
O quadro atual, segundo especialistas, é impulsionado pelo aumento excessivo de gastos, que elevaram juros e inflação. O gasto com juros sobre a dívida pública se aproxima de R$ 1 trilhão, elevando o déficit nominal do governo central para 7,12% do PIB. A dívida pública bruta já alcançou 77,5% do PIB, um dos avanços mais acelerados do mundo.
