Após a turbulência inicial causada pelo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil, o presidente Lula voltou a pressionar seus ministros pela execução de programas estratégicos, prometidos há meses. De olho em 2026, Lula busca destravar duas iniciativas que considera cruciais para a vitrine social de seu terceiro mandato: a reformulação do Vale-Gás e um novo programa de reforma de casas.
O tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, que forçou uma mudança na estratégia de comunicação do governo e adiou o cronograma de entregas, agora serve de impulso para a gestão federal mostrar foco em pautas internas.
A intenção de Lula é que o governo demonstre que mantém seus trabalhos, independentemente do cenário externo.
A principal prioridade de Lula é a medida provisória (MP) que reformula o auxílio-gás, que deve ser lançado com o nome de “Gás para Todos” ou “Gás do Povo”.
A expectativa é que a MP seja publicada nos próximos 15 dias, permitindo que entre 15 milhões e 17 milhões de famílias de baixa renda retirem o botijão de gás gratuitamente em pontos de revenda.
A mudança visa garantir que o benefício seja usado exclusivamente para a compra de gás de cozinha, diferentemente do modelo atual, que repassa o valor em dinheiro. As revendedoras de gás receberão um valor de referência regionalizado definido pelo governo.
No mesmo escopo, está a nova política de crédito para reforma de casas dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, que, nas palavras do presidente, permitirá ao cidadão “fazer um puxadinho”.
O projeto busca oferecer um modelo de empréstimo menos engessado, permitindo que o tomador tenha mais liberdade para arrumar a casa, desde que comprove que o dinheiro foi usado para essa finalidade.
Uma promessa que ainda está distante de se concretizar é a linha de crédito para que trabalhadores de aplicativos possam comprar ou trocar suas motocicletas. O projeto esbarra em questões fiscais, exigindo um fundo garantidor para que bancos possam reduzir as taxas de juros para um patamar acessível.
Apesar dos desafios, a gestão federal busca consolidar a percepção de que suas promessas estão sendo cumpridas. A expectativa do Ministério das Cidades é que o programa Minha Casa, Minha Vida atinja a meta de 2 milhões de unidades entregues em dezembro, um ano antes do previsto.
