Sandro Pardini, da Secretaria de Administração de Praia Grande, teve eletrônicos, armas e dinheiro apreendidos na operação
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão no litoral paulista na investigação do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado no dia 15 de setembro, em Praia Grande. Um dos alvos foi o subsecretário de Gestão de Tecnologia da prefeitura, Sandro Rogério Pardini, que teve celulares, notebooks, pendrives, um computador, três pistolas e valores em reais, dólares e euros apreendidos.
As diligências ocorreram em endereços de Santos, Praia Grande e São Vicente e foram conduzidas pelo DHPP com apoio da Polícia Civil local, informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A SSP afirmou que itens de interesse foram recolhidos e que “demais detalhes serão preservados” para garantir a autonomia do trabalho policial. A Prefeitura de Praia Grande disse estar colaborando, com fornecimento de imagens e informações, e relatou não ter sido oficialmente comunicada sobre buscas ligadas à operação. Já a defesa de Sandro Pardini negou participação do subsecretário em qualquer etapa do crime e afirmou que ele prestou esclarecimentos como testemunha.
Quatro suspeitos seguem foragidos
Até agora, quatro suspeitos foram presos: William Silva Marques (apontado como dono do imóvel usado como QG do crime); Rafael Marcell Dias Simões, o “Jaguar” (apontado como um dos atiradores); Dahesley Oliveira Pires (acusada de buscar um fuzil no litoral); e Luiz Henrique Santos Batista, o “Fofão” (teria ajudado na fuga). Quatro seguem foragidos: Felipe Avelino da Silva, o “Mascherano”; Flávio Henrique Ferreira de Souza; Luis Antônio Rodrigues de Miranda; e Humberto Alberto Gomes. Em veículos usados na ação, a perícia encontrou material genético ligado a dois dos foragidos.
Relembre o caso
Imagens analisadas pela polícia mostram que os criminosos armaram emboscada perto da Prefeitura de Praia Grande, onde Ruy Ferraz trabalhava como secretário de Administração. O carro da vítima passa próximo ao veículo dos autores, que iniciam os disparos. Após perseguição, o ex-delegado colide com um ônibus e é executado na via pública. A polícia utiliza câmeras de segurança para reconstituir a dinâmica.

A cúpula da SSP não descarta hipóteses sobre a motivação, incluindo eventual participação de agentes públicos. Ruy Ferraz foi delegado-geral em São Paulo e, à época, tornou-se alvo prioritário do PCC. Ele também poderia ter contrariado interesses locais no exercício do cargo municipal. Internamente, investigadores comparam a ação à execução de Vinícius Gritzbach, inimigo da facção, morto a tiros de fuzil em 2024 no Aeroporto de Guarulhos.
