O governo Lula destinou R$ 15,8 milhões a uma ONG ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para ações de limpeza na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A informação foi divulgada pelo Estadão. A entidade beneficiada, a Unisol, opera em uma sala modesta no subsolo do sindicato onde o próprio Lula permaneceu antes de se entregar à Polícia Federal em 2018.
A liberação dos recursos feita integralmente no fim de 2023 foi coordenada pelo Ministério do Trabalho, comandado pelo petista Luiz Marinho, por meio da Secretaria de Economia Popular e Solidária, sob a chefia de Gilberto Carvalho, aliado histórico de Lula. Mesmo com o dinheiro em caixa, a ONG ainda não iniciou as operações em campo, alegando reuniões técnicas e estudos prévios como justificativa.
O contrato com a Unisol supera todas as transferências feitas para ONGs na área de gestão de resíduos indígenas na última década. O governo justificou o repasse como uma resposta emergencial à crise sanitária dos Yanomami, mas o plano de ação da entidade não define metas claras sobre a quantidade de lixo a ser removido.
O processo de seleção foi marcado por falta de transparência: metade das ONGs concorrentes foi eliminada por não apresentar plano de trabalho, enquanto a Unisol e o CEA. O CEA deve receber R$ 4,2 milhões, mas até agora só teve acesso a 40% do valor.
Arildo Mota Lopes, ex-diretor da Unisol e filiado ao PT, comanda o sindicato, e seu vice, Carlos Duarte, também integra a diretoria sindical.
Não é só o PT
No último semestre, sete organizações não governamentais (ONGs), sem histórico relevante ou estrutura comprovada, receberam R$ 274 milhões em emendas parlamentares.
