ONG constrói mansão para donos em terreno que seria escola
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

ONG americana acusada de construir mansão em terreno de escola no AM

Ong constrói mansão em terreno de escola
Terreno foi cedido por moradores para a construção de uma escola

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Por Redação

A ONG americana Global Thinkers Now (GTN) está sendo investigada por supostamente construir uma “mansão” para seus gestores em um terreno que havia sido doado por moradores para a edificação de uma escola. A denúncia foi feita por integrantes da própria comunidade Santo Antônio, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, no Amazonas. A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) informou que está apurando o caso.

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A GTN, de caráter missionário e fundada pelo casal adventista Robert Ritzenthaler e Beatriz Augusta Ritzenthaler, atua no Brasil desde 2017. Moradores afirmam ter autorizado a construção de duas residências, mas relatam que uma delas se tornou a moradia do casal, contrariando a promessa de uma escola.

A Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (Sema) constatou, em junho deste ano, que as construções foram erguidas “sem licenciamento, com danos à vegetação nativa”, resultando em uma multa de R$ 56,6 mil aplicada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O órgão também emitiu uma ordem de interdição e desocupação dos imóveis, mas a ONG recorreu e permanece no local.

A Defensoria Pública do Amazonas também investiga denúncias de “exploração irregular de turismo na área, sem consulta prévia à população e sem autorização dos órgãos competentes”. O relatório da defensoria ressalta que “foram desrespeitados direitos fundamentais como o território e a consulta prévia, livre e informada”.

A presidente da Associação de Produtores Agrícolas da Comunidade do Santo Antônio, Mariete Miranda Pontes, reconheceu que a presença da ONG foi autorizada, mas classificou a construção da casa como “uma mansão para o casal dono da ONG” e uma quebra do acordo. Ela acusa a entidade de ter parado de prestar serviços e de ter recebido “80 americanos” sem comunicar os moradores.

Em nota, a Igreja Adventista afirmou não ter vínculo com a GTN, classificando-a como uma “iniciativa independente”. Por sua vez, a co-fundadora da ONG, Beatriz Ritzenthaler, negou as acusações, dizendo que a comunidade sabia que a casa também seria uma moradia e que os desentendimentos surgiram após a suspensão de um ex-líder comunitário de um cargo na ONG. O casal americano se mudou para a reserva em agosto de 2023.

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