A ONG americana Global Thinkers Now (GTN) está sendo investigada por supostamente construir uma “mansão” para seus gestores em um terreno que havia sido doado por moradores para a edificação de uma escola. A denúncia foi feita por integrantes da própria comunidade Santo Antônio, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, no Amazonas. A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) informou que está apurando o caso.
A GTN, de caráter missionário e fundada pelo casal adventista Robert Ritzenthaler e Beatriz Augusta Ritzenthaler, atua no Brasil desde 2017. Moradores afirmam ter autorizado a construção de duas residências, mas relatam que uma delas se tornou a moradia do casal, contrariando a promessa de uma escola.
A Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (Sema) constatou, em junho deste ano, que as construções foram erguidas “sem licenciamento, com danos à vegetação nativa”, resultando em uma multa de R$ 56,6 mil aplicada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O órgão também emitiu uma ordem de interdição e desocupação dos imóveis, mas a ONG recorreu e permanece no local.
A Defensoria Pública do Amazonas também investiga denúncias de “exploração irregular de turismo na área, sem consulta prévia à população e sem autorização dos órgãos competentes”. O relatório da defensoria ressalta que “foram desrespeitados direitos fundamentais como o território e a consulta prévia, livre e informada”.
A presidente da Associação de Produtores Agrícolas da Comunidade do Santo Antônio, Mariete Miranda Pontes, reconheceu que a presença da ONG foi autorizada, mas classificou a construção da casa como “uma mansão para o casal dono da ONG” e uma quebra do acordo. Ela acusa a entidade de ter parado de prestar serviços e de ter recebido “80 americanos” sem comunicar os moradores.
Em nota, a Igreja Adventista afirmou não ter vínculo com a GTN, classificando-a como uma “iniciativa independente”. Por sua vez, a co-fundadora da ONG, Beatriz Ritzenthaler, negou as acusações, dizendo que a comunidade sabia que a casa também seria uma moradia e que os desentendimentos surgiram após a suspensão de um ex-líder comunitário de um cargo na ONG. O casal americano se mudou para a reserva em agosto de 2023.
