Relatório aponta impacto da política de juros e queda no consumo interno
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou nesta terça-feira (3) seu relatório semestral com projeções nada animadoras para a economia brasileira. A estimativa é de desaceleração no crescimento do país em 2025 e 2026, influenciada por incertezas globais e pela política de juros restritiva adotada internamente.
Segundo o documento, o PIB brasileiro deve crescer 2,1% em 2025 e apenas 1,6% em 2026. O principal freio, de acordo com a OCDE, será a retração nos investimentos privados, o que reduz o consumo das famílias e mina a confiança de empresas e consumidores.
A inflação também preocupa: a organização prevê alta de 5,7% em 2025 e 5% em 2026. Os números ficam acima do teto da meta do Banco Central, que é de 4,5%. A OCDE aponta que o aperto monetário, com juros fixados em 14,75% ao ano desde 7 de maio, já enfraqueceu a economia no fim de 2024.
Embora os efeitos das tarifas americanas do presidente Donald Trump sejam considerados limitados para o Brasil, o país deve sentir o baque da queda na demanda global, especialmente da China e da Europa.
“A exposição direta do Brasil às tarifas americanas é limitada, com as exportações de bens para os Estados Unidos representando cerca de 10% do total exportado e 1,5% do PIB. No entanto, os efeitos indiretos da demanda global mais fraca, particularmente na Europa e na China, podem pesar sobre as exportações de commodities”, aponta o relatório.
