O Banco Central reduziu de 2,1% para 1,9% a projeção do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2025. O corte reforça a expectativa de desaceleração da economia em relação a 2024.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 3,4% no ano passado. Agora, o Banco Central prevê um crescimento mais expressivo no primeiro trimestre de 2025, seguido por “certa estabilidade nos trimestres seguintes”.
O BC atribui a desaceleração a uma política monetária mais restritiva. A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, atingiu o maior nível desde o governo Dilma Rousseff (PT). Além disso, a redução dos estímulos fiscais e a moderação do crescimento global contribuem para o cenário de menor expansão econômica.
O relatório aponta que a revisão para 1,9% reflete uma queda no crescimento dos setores mais cíclicos, compensada parcialmente pelo avanço em outras áreas. “A revisão [de 2,1% para 1,9%] reflete uma redução no crescimento esperado para os setores mais cíclicos, parcialmente compensada por um aumento nos demais”, diz o documento.
A agropecuária deve se beneficiar da safra recorde de soja, concentrada no início do ano, e tem previsão de alta de 6,5% em 2025, acima dos 4% projetados em dezembro. Na indústria, a expectativa caiu de 2,4% para 2,2%, enquanto o setor de serviços foi revisado para baixo, de 1,9% para 1,5%.
Do lado da demanda, o consumo das famílias teve projeção reduzida de 2,4% para 1,5%, e a formação bruta de capital fixo (investimentos) caiu de 2,9% para 2,0%.
Essa foi a primeira edição do Relatório de Política Monetária, que substituiu o antigo Relatório Trimestral de Inflação. A mudança foi imposta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou as regras da meta de inflação.
A nova metodologia estabelece uma meta contínua de 3%, válida por pelo menos 36 meses. Se a inflação anualizada ficar acima ou abaixo do intervalo permitido (1,5% a 4,5%) por mais de seis meses, será considerado um descumprimento do objetivo.
O Banco Central terá que divulgar um relatório trimestral detalhando as razões para possíveis desvios da meta, as medidas adotadas e o prazo esperado para o retorno da inflação ao intervalo estipulado. Caso a inflação continue fora do limite, uma nova carta explicativa deverá ser publicada.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a meta de inflação, chamando-a de “exigentíssima” e “inimaginável”. Desde a adoção do regime de metas, em 1999, o Brasil só registrou inflação próxima de 3% em 2006 (3,14%) e 2017 (2,95%). Nos demais anos, permaneceu acima de 4%.
