OAB aciona Moraes contra uso ampliado de dados de Wassef
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

OAB aciona Moraes contra uso ampliado de dados de Wassef

Entidade questiona uso prolongado de dados de celular apreendido

OAB aciona Moraes contra uso ampliado de dados de Wassef
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Por Redação

A OAB pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que reconheça a impossibilidade de uso expansivo e prolongado de dados extraídos de celulares de advogados investigados.

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O pedido foi feito após a Polícia Federal (PF) apontar que “eventos fortuitos” encontrados nos aparelhos de Frederick Wassef, ex-advogado de Jair Bolsonaro (PL), devem ser formalizados “em procedimento apartado” da investigação sobre o suposto desvio de joias sauditas.

O material da PF foi enviado ao Supremo, e Moraes determinou, em 19 de março, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste.

A petição da OAB, assinada por Beto Simonetti, foi protocolada ontem (1º). Simonetti destaca no documento que os “eventos fortuitos” só foram registrados em 4 de março de 2026, quase 3 anos após a apreensão dos celulares, feita em 16 de agosto de 2023 por ordem de Moraes.

Segundo Simonetti, a validade jurídica exige descoberta acidental e adoção imediata de medidas formais: “A inércia estatal na adoção dessas medidas, aliada ao lapso temporal significativo (no caso, aproximadamente três anos depois), desnatura o caráter fortuito da descoberta e impede sua convalidação posterior como fundamento legítimo para nova persecução”.

Afirma ainda que há tentativa de ampliar indevidamente a investigação. “Nessas circunstâncias, acrescenta o presidente da OAB, ‘o que se observa, em verdade, é a tentativa de atribuir aparência de legalidade a uma indevida ampliação prospectiva do objeto investigativo, com base em dados já disponíveis, porém desprovidos de adequada delimitação e controle no momento oportuno’”.

Simonetti também apontou risco às garantias fundamentais: “Equivale a chancelar a perpetuação indefinida e permanente de medidas invasivas e a relativização de garantias fundamentais, permitindo que dados obtidos em contexto específico sejam reutilizados, de forma elástica e descontextualizada, para subsidiar novas investigações dissociadas do objeto originário, reconduzindo a uma lógica de cunho inquisitorial, incompatível com o modelo acusatório consagrado no ordenamento jurídico vigente”.

O presidente da OAB ressalta ao Supremo que o caso envolve dados de advogados, protegidos por prerrogativas legais. Segundo Simonetti, a defesa de Wassef afirmou que a apreensão ocorreu sem acompanhamento da entidade:

“Tal circunstância não constitui vício meramente formal, mas irregularidade substancial, apta a comprometer a validade do próprio ato e a higidez dos elementos dele decorrentes“.

Simonetti também pediu a Moraes preservação das prerrogativas da advocacia e acesso integral da defesa aos dados, caso seja aberto procedimento separado.

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