O que Milei quer após vitória histórica no Congresso
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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O que Milei quer após vitória histórica no Congresso

Javier Milei, en el Foro Económico de Davos (Suiza), el pasado 17 de diciembre. Hollie Adams (Bloomberg)
Javier Milei, en el Foro Económico de Davos (Suiza), el pasado 17 de diciembre. Hollie Adams (Bloomberg)

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Governo argentino retoma plano de privatizações, reforma tributária e mudanças trabalhistas

O presidente argentino Javier Milei anunciou que o novo Congresso terá papel central em um ciclo de reformas estruturais para “reconstruir a Argentina”. Após a vitória expressiva da coalizão governista La Libertad Avanza nas eleições legislativas de 2025, o Executivo prepara o envio de novos projetos de privatização, desregulamentação econômica e ajuste fiscal.

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Em discurso ao Parlamento, Milei afirmou que o país entrou em um “ponto de virada” e que o objetivo é “deixar a decadência para trás e construir uma grande Argentina”. A coalizão do governo conquistou maioria nas duas Casas, garantindo sustentação política para medidas que antes dependiam de negociações com opositores.

Os eixos das reformas

O presidente indicou no meio do ano que o foco será a reforma do Estado, com redução de ministérios, extinção de autarquias e privatização de empresas públicas. O governo argumenta que várias estatais “pesam sobre o setor privado” e defende a venda como forma de aliviar gastos e estimular o investimento.

A reforma tributária pretende reduzir em até 90% o número de impostos nacionais, concentrando a arrecadação em seis tributos e concedendo autonomia fiscal às províncias. O plano inclui restaurar o imposto de renda sobre altas rendas e conceder anistia fiscal, medida aprovada na Câmara por 140 votos a 103.

No campo trabalhista, Milei propõe flexibilizar contratos, ampliar o período de experiência para até seis meses e modificar as indenizações por demissão. O governo sustenta que o sistema atual “incentiva a informalidade” e precisa ser modernizado.

A reforma migratória deve endurecer deportações e cobrar por serviços públicos prestados a estrangeiros em situação temporária. Já a nova Lei de Segurança Nacional reforça o poder das forças de segurança e dos serviços de inteligência.

Milei também defende mudanças nos Códigos Civil, Comercial e Penal, para garantir a inviolabilidade da propriedade privada e endurecer penas. Entre as propostas, está a redução da maioridade penal.

O plano de livre comércio prevê ampliar relações com os Estados Unidos e, se necessário, rever a permanência no Mercosul. O presidente também pretende renegociar um novo acordo com o FMI, usando os recursos para quitar dívidas do Banco Central e equilibrar as contas públicas.

Avanço legislativo e próximos passos

A Câmara dos Deputados já aprovou o núcleo das reformas tributária e estatal — a chamada Ley de Bases y Puntos de Partida para la Libertad de los Argentinos — por 142 votos a 106. O pacote autoriza a privatização de empresas, flexibiliza regras trabalhistas e cria incentivos a grandes investimentos.

No Senado, o governo espera uma tramitação difícil, mas com perspectiva favorável após o avanço eleitoral. Milei afirmou que, caso o Congresso não acompanhe a agenda, recorrerá a decretos para garantir a continuidade do programa econômico.

O presidente anunciou que pretende convocar os governadores aliados para firmar um “Pacto pela Liberdade”, previsto para o feriado de 25 de maio, como marco simbólico do novo ciclo político.

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