O presidente da Argentina, Javier Milei, aceitou a renúncia de seu chefe de gabinete, Manuel Adorni, após uma sequência de denúncias envolvendo supostas irregularidades patrimoniais que colocaram o auxiliar mais próximo do governo no centro da maior crise política desde o início da atual gestão.
A saída de Adorni ocorre depois de mais de três meses de pressão da oposição, de investigações judiciais e do aumento das críticas dentro e fora da base governista. O agora ex-chefe de gabinete é alvo de apurações por suspeita de enriquecimento ilícito e por inconsistências em suas declarações patrimoniais.
O caso ganhou força após revelações sobre despesas consideradas incompatíveis com os rendimentos do cargo público. Entre os episódios investigados estão viagens em aeronaves particulares e o uso do avião presidencial em deslocamentos que envolveram familiares, além da aquisição e reforma de imóveis de alto valor.
Recentemente, Adorni reconheceu ter deixado de informar aproximadamente US$ 500 mil em suas declarações de bens. Segundo ele, o montante teria origem em investimentos realizados em criptomoedas e em recursos familiares, explicação que não impediu o avanço das investigações conduzidas pela Justiça argentina.
Apesar de ter defendido publicamente a permanência do aliado até uma eventual condenação judicial, Milei acabou aceitando a renúncia. Em uma carta publicada nas redes sociais, Adorni afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar sua família do que classificou como ataques constantes, negando qualquer prática irregular e agradecendo ao presidente pela confiança durante sua passagem pelo governo.
Para ocupar a chefia de gabinete, Milei escolheu o atual ministro do Interior, Diego Santilli, que assumirá oficialmente a nova função nos próximos dias. Além do novo posto, ele continuará responsável pela articulação política com governadores e pelo diálogo com o Congresso.
Com longa experiência na política argentina, Santilli construiu sua trajetória inicialmente no peronismo antes de integrar o partido PRO, legenda do ex-presidente Mauricio Macri. Diferentemente de seu antecessor, é visto como um articulador mais voltado à negociação, característica considerada estratégica em um momento de dificuldades para o governo.
A nomeação também marca uma mudança no perfil da chefia de gabinete. Pela primeira vez desde a posse de Milei, o cargo passa a ser ocupado por um político tradicional, em contraste com a composição inicial da administração, formada majoritariamente por nomes ligados ao movimento libertário do presidente.
