“O prejuízo de R$ 5 bilhões já está dado”, diz Júlia Lucy sobre o caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“O prejuízo de R$ 5 bilhões já está dado”, diz Júlia Lucy sobre o caso Master

Cientista política aponta falhas do Banco Central, prejuízo ao DF e pressão política no BRB

Júlia Lucy afirma que mercado já conhecia problemas do Banco Master e aponta prejuízo bilionário ao DF; fala foi feita no programa Alive, no YouTube.

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Por Redação

Nesta terça-feira (10), no programa Alive, exibido no YouTube, a cientista política Júlia Lucy criticou a condução do caso Banco Master e apontou inconsistências nas versões apresentadas por autoridades financeiras.

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Segundo Júlia, há divergências claras sobre quando surgiram os alertas internos. “Você tem o Galípolo dizendo que a desconfiança começou em janeiro de 2025”, afirmou. Em seguida, destacou outra versão: “Depois, um diretor do banco fala que começaram a desconfiar em março, mas que a confirmação só veio em junho”.

Para ela, o desencontro compromete a credibilidade institucional. “Nesse momento, fica difícil saber em quem confiar exatamente”, disse.

Júlia afirmou que, independentemente da versão oficial, o mercado já conhecia os problemas do banco. “Se o Banco Central não sabia, o mercado já sabia há muito tempo dos problemas de liquidez do Master”, declarou. Ela também mencionou ativos pouco conhecidos. “Ninguém conhecia a Tirreno, muito menos a Carps”, afirmou.

A cientista política disse que o episódio revela falhas graves no sistema financeiro. “Estamos falando do sistema financeiro nacional”, disse. E completou: “É um ambiente onde não deveria pairar qualquer tipo de dúvida sobre a existência de ativos ou sobre a confiabilidade das instituições”.

Ao tratar dos impactos financeiros, Júlia foi direta. “O povo do Distrito Federal tem hoje um prejuízo de mais de R$ 5 bilhões”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Não tem como fugir disso. Está dado um prejuízo de R$ 5 bilhões de reais”.

Ela também mencionou a atuação do Banco Regional de Brasília (BRB) à época da tentativa de compra do Master. Segundo Júlia, houve uma defesa organizada da operação. “Houve uma defesa muito veemente não só do governador do Distrito Federal, mas também de uma série de diretores do BRB”, disse.

De acordo com ela, essa defesa incluiu ações internas. “Foram produzidos vídeos de diretores para consumo interno, para convencer os próprios funcionários”, afirmou. Júlia destacou que a maioria dos empregados do banco é concursada. “São pessoas de carreira, que não devem favor a político nenhum”, disse.

A cientista política afirmou que esses servidores estão pagando o preço de decisões que não tomaram. “Eu conheço muitas dessas pessoas e sei do sofrimento que elas estão enfrentando”, declarou. Segundo ela, as investigações apontam problemas graves na gestão. “A própria Polícia Federal fala em gestão fraudulenta”, afirmou.

Júlia também citou uma das linhas de investigação da PF. “Uma das apurações é se o Vorcaro seria sócio oculto do BRB”, disse. Segundo ela, isso teria ocorrido por meio de fundos. “Ele não apareceu com o rosto dele no banco, mas atuou por meio de fundos”, afirmou.

Ela ainda mencionou outras frentes de apuração. “Há investigação sobre patrocínios feitos pelo BRB e sobre créditos concedidos que não foram pagos”, disse. E completou: “Quantas pessoas tomaram crédito e não devolveram esse dinheiro ao banco? Isso é um ponto central”.

A deputada distrital Paula Belmonte também comentou o caso e relembrou o contexto institucional da época. “O presidente do BRB ainda não tinha sido renomeado e o Banco Central questionava a legalidade de decisões”, afirmou.

Paula disse que auditorias já apontavam problemas. “O Banco Central vinha questionando as operações do BRB”, declarou. Para ela, o caso expõe interferência política indevida. “O que está em jogo é a interferência política onde não deveria existir”, disse.

A parlamentar afirmou que o governo do DF teve papel direto na decisão. “O governo, que é o maior acionista, entrou na Justiça para comprar essa carteira de crédito”, afirmou. Segundo ela, isso não pode ser dissociado do desfecho atual.

Ao tratar das consequências, Paula foi direta. “Vamos salvar o banco”, disse. Mas ponderou: “O preço que pagamos foi a inabilidade política e o interesse político”.

A advogada Carol Sponza analisou os reflexos do caso no Rio de Janeiro. Segundo ela, o cenário eleitoral segue indefinido. “A direita ainda não conseguiu lançar um nome”, afirmou. Disse também que o escândalo ainda não foi totalmente precificado politicamente.

Carol afirmou que o caso Master tem múltiplas ramificações. “São tantos tentáculos que dá para investigar em várias instâncias”, disse. Ela citou CPIs e CPMIs em diferentes níveis.

Ao comentar a condução judicial, foi crítica. “Nunca tinha visto um ministro decidir quais provas podem ou não ser usadas”, afirmou, ao se referir à atuação do ministro Dias Toffoli. Para ela, há risco de esvaziamento das investigações. “O que a gente pode assistir é uma CPMI esvaziada”, disse.

Segundo Carol, o esquema não teria ocorrido sem apoio institucional. “Não se faz uma fraude desse tamanho sem ajuda”, afirmou. Ela também mencionou doações políticas. “O Vorcaro doou para a esquerda e para a direita”, disse, ressaltando que o foco deve ser o envolvimento direto com o esquema.

Para a advogada, parlamentares que enfrentam o tema sofrem reação. “Quem aponta essa ferida acaba sendo atacado”, afirmou. E concluiu: “Hoje, a maioria do establishment político de Brasília está em alerta com tudo isso”.

Assista ao programa na íntegra

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