Congresso confia mais no BC do que no STF no caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Congresso confia mais no BC do que no STF no caso Master

Ranking dos Políticos mostra que 70% dos deputados e 77% dos senadores confiam no BC, mas mais de 50% reprova o STF

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Deputados e senadores demonstram maior confiança no Banco Central (BC) do que no Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro. É o que aponta levantamento do Ranking dos Políticos divulgado nesta manhã (10).

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O BC recebe majoritariamente classificações “excelente”, “boa” ou “regular”, enquanto o STF concentra elevados índices de reprovação, sobretudo na Câmara dos Deputados.

Entre os deputados, cerca de 70% avaliam a atuação do BC no caso Master de forma positiva ou intermediária. No Senado, o índice sobe para aproximadamente 77%, com rejeição residual ao órgão nas duas Casas.

Já a atuação do STF no caso do banco de Vorcaro é avaliada de forma negativa pela maioria dos parlamentares. Na Câmara, mais de 50% classificam a condução do Supremo como “ruim” ou “péssima”, sendo que 34,3% optaram pela avaliação “péssima”. No Senado, a reprovação soma cerca de 63% entre “ruim” e “péssima”.

Entre parlamentares de direita, a avaliação “péssima” do STF atinge 75% na Câmara e 83,3% no Senado. No centro, predomina a classificação “ruim”. Na esquerda, embora haja maior tolerância, 24,1% dos deputados ainda consideram a atuação da Corte “péssima”.

Para o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, os dados indicam uma distinção clara feita pelo Congresso entre instâncias técnicas e decisões judiciais. “A pesquisa mostrou que o Congresso tende a confiar mais em órgãos técnicos, como o Banco Central, do que no Judiciário, sobretudo quando decisões judiciais produzem efeitos econômicos e financeiros sensíveis”, afirmou.

Segundo ele, a leitura negativa sobre o Supremo no caso Master é transversal, ainda que mais intensa à direita: “Mesmo fora do campo ideológico mais crítico, o Supremo não consegue construir uma percepção amplamente positiva. Isso sinaliza um incômodo institucional que vai além da polarização política”.

“O grau de insatisfação registrado cria condições políticas para o avanço de propostas que buscam revisão de competências, maior previsibilidade decisória e limites mais claros à atuação judicial em temas com impacto sistêmico”, ressalta Arruda.

Ao mesmo tempo, a avaliação mais favorável ao BC reforça a narrativa de defesa da autonomia técnica e da separação entre decisões regulatórias e disputas político-judiciais.

“A diferença de percepção entre BC e STF fortalece o argumento de que previsibilidade regulatória e segurança jurídica são vistas pelo Parlamento como elementos centrais para a estabilidade econômica”, concluiu o diretor do Ranking.

O levantamento do Ranking dos Políticos ouviu 108 deputados federais, de 18 partidos, e 30 senadores, de 12 legendas, entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro. A pesquisa tem margem de erro de 6,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, respeitando a proporcionalidade partidária nas duas Casas.

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