Ontem recebi um áudio malcriado de uma amiga que queria votar no Tarcísio de Freitas e agora ficou sem candidato. Ela acha um absurdo Jair Bolsonaro ter usado Flávio para barrar a candidatura presidencial do governador de São Paulo. “Quero poder votar em quem eu quiser!”, disse, exasperada.
Esse pensamento é a síntese da confusão dominante no eleitorado do centro à direita, incluindo antipetistas. Eu apenas respondi a ela: “É disso que se trata. Pergunte a um eleitor bolsonarista o que ele acha.” Na entrevista à Record, o 01 foi claro ao falar do ‘preço’ para retirar sua candidatura.
“Meu preço é justiça. E não é só justiça comigo, é justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados, estão dentro de um cativeiro nesse momento junto com o [ex-] presidente Jair Messias Bolsonaro.”
Quem planejou e executou o sequestro foi o Supremo Tribunal Federal, com apoio da mídia; desde 2019, quando passou a cassar decisões da Presidência da República, usurpar seu poder e restringir a movimentação de Bolsonaro na base da coação a partir das investigações contra Flávio.
Hoje, a mídia se mostra indignada com o senador falando que colocou um “preço” para desistir de sua candidatura. O preço, claro, é a volta da democracia, que pressupõe Estado de Direito, com respeito ao devido processo legal e cumprimento dos cânones constitucionais.
Flávio usa linguagem acessível e polêmica com o objetivo de viralizar, gerar engajamento, inclusive por indignação, controlando a narrativa e dominando o debate público. Isso está acontecendo há 4 dias seguidos, com milhões de interações nas redes sociais e propaganda orgânica nos canais tradicionais.
Se nos últimos meses o Supremo comandou esse debate, impondo a narrativa golpista, Jair Bolsonaro agora reage com Flávio, fazendo o contraponto e expondo os abusos de um Judiciário que extrapolou em muito suas funções e hoje usurpa os poderes de todos os Poderes.
A candidatura de Flávio, com suas premissas expostas, pressiona Hugo Motta e Davi Alcolumbre a pautar a anistia, Lula a sancioná-la e o Supremo a avalizá-la. É um teste para o que resta de democracia neste país, uma chance para o próprio sistema buscar uma saída institucional.
Se a saída é Tarcísio, como quer a minha amiga, o pedágio é a anistia. Vai sair barato.
