Bilhete manuscrito e depoimentos reforçam suspeita de que Mariângela centralizava indicações do orçamento
A Polícia Federal incluiu um bilhete manuscrito, que tratava da “troca” de municípios do Ceará para receber emendas, como indício de informalidade na distribuição de recursos durante a gestão de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara. O documento foi apreendido com a ex-assessora Mariângela Fialek, a Tuca, alvo de busca e apreensão nesta sexta-feira (12/12). Lira não é investigado na Operação Transparência.
Segundo a PF, a anotação revela que milhões de reais eram realocados “a partir de comandos verbais”, sem trâmites formais. Em decisão do ministro Flávio Dino, o bilhete foi comparado a uma “conta de padaria”, expressão citada na representação policial. Para os investigadores, o material é um “indício claro” de que Tuca organizava o chamado orçamento secreto.
Policiais também ouviram quatro deputados e um senador, que relataram que as emendas não eram discutidas nas comissões. Eles afirmaram que listas prontas chegavam aos colegiados sem identificação de autores, objetos ou beneficiários, cabendo apenas formalizar decisões já definidas.

O deputado Júnior Mano, citado no bilhete, disse que é prerrogativa parlamentar indicar emendas. Questionado sobre a classificação de Dino, respondeu apenas: “Então deixa ele dizer”.
A operação cumpriu mandados no endereço da assessora e em uma sala do Anexo II da Câmara, conhecida como espaço onde funcionava a estrutura de distribuição de emendas. Segundo a PF, Tuca continuou atuando no mesmo local mesmo após deixar a assessoria da presidência, hoje lotada na liderança do PP com salário de R$ 23,7 mil.
No pedido enviado ao Supremo, a PF alertou para o risco de que a investigada mantivesse provas físicas para evitar backup de dados sensíveis. Dino autorizou buscas em todas as salas onde ela desempenhava funções.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que os elementos reunidos sugerem “atuação ilícita” e que Tuca “desponta exercer o controle de indicações desviadas de emendas” em benefício de uma organização voltada a crimes funcionais e contra a administração pública.
