Depois do fim do imposto sindical, a arrecadação de sindicatos, federações, confederações e centrais caiu cerca de 98%, de R$ 3 bilhões em 2017 para R$ 57 milhões em 2024 – mostra levantamento do Poder360. Dinheiro fácil cobrado diretamente do contra-cheque do trabalhador por gente que pouco trabalha.
Com menos grana, os sindicalistas perderam capacidade grevista e de judicialização. O efeito para a economia foi o melhor possível: o desemprego caiu pela metade e a média salarial subiu 50%. O ciclo virtuoso poderia ter sido ainda mais potente, sem a pandemia no meio do caminho.
O debacle dos sindicatos, naturalmente, foi bom para o trabalhador porque foi bom para o empresário, que é quem assume todos os riscos associados a um novo negócio. Em 2023, o STF tentou atrapalhar o empresário novamente, autorizando a cobrança de contribuições sindicais.
As longas filas de trabalhadores que se formaram em frente a sindicatos para protocolar oposição ao desconto mostrou que ninguém quer ser feito de trouxa. Ninguém tolera mais tamanha exploração e enganação. Enquanto Argentina, Reino Unido e EUA tem cerca de 200 sindicatos, o Brasil tem mais de 17 mil!
Com tanta gente sedenta por dinheiro fácil, houve uma migração automática da cobrança dos trabalhadores ativos para os inativos. Em 2024, foram R$ 2,5 bilhões extraídos à força dos aposentados por meio de mensalidades associativas feitas ilegalmente, a partir da ‘venda’ de consignados e benefícios assistenciais.
Desde 2019, o montante chegou a R$ 6,3 bilhões. Mudanças legais e normativas, a partir de meados de 2022 e início de 2023, turbinaram o esquema do roubo dos velhinhos e consolidaram o golpe do século. Embora o governo Lula e seus aliados tentem pendurar essa conta em Jair Bolsonaro, o DNA sindical atesta a origem.
Foram as centrais sindicais, apoiadas por partidos aos quais são vinculadas, que garantiram as mudanças legais e normativas que turbinaram o esquema do roubo dos velhinhos. A Contag, entidade que mais embolsou recursos, é presidida por Aristides Veras, irmão do deputado petista Carlos Veras.
A terceira entidade que mais arrecadou e que entregou a Carlos Lupi uma carta pedindo os descontos automáticos foi o Sindnapi, que tem o irmão de Lula (Frei Chico) como vice-presidente, um pedetista (Milton Cavalo) como presidente e integra a Força Sindical, do deputado federal Paulinho da Força, do Solidariedade.
Outra líder em arrecadação é a tal Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CPBA), que não tinha sequer um filiado em 2022. No ano seguinte, já eram mais de 340 mil, com uma arrecadação de quase R$ 58 milhões. A entidade é presidida por Abraão Lincoln, vice-presidente nacional da mesma Força Sindical e ex-dirigente do Republicanos. Lincoln tem trânsito livre na atual gestão do ministro André de Paula, do PSD.
OUTRAS ENTIDADES
O esquema, de tão lucrativo, naturalmente atraiu outros operadores sem aparente vínculo sindical, como o empresário Maurício Camisotti, apontado como responsável por uma rede de entidades e empresas de fachada que drenaram milhões dos aposentados. Camisotti exibe relações íntimas — financeiras, inclusive — com o advogado Nelson Wiliams, cujo sócio Fernando Cavalcanti cedeu sua mansão em Brasília para a festa de 12 anos do PSD de Gilberto Kassab.
Nesta semana, em audiência pública com o novo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que era braço direito do velho, Carlos Lupi, o senador petista Jaques Wagner saiu em defesa de Lula e disse que é preciso “desconstruir um discurso contra sindicatos”.
“Se tem alguém que respeita os aposentados é Luiz Inácio Lula da Silva. Roubar de quem já não tem é crime hediondo. Não tenho interesse em politizar o debate, mas não venham acusar esse governo”, disse Wagner.
Como demonstrado acima, não há como não politizar o debate; muito menos como desvincular o roubo dos aposentados do sindicalismo que integra a trajetória e a base de apoio de Lula. Mas dá para aprovar um projeto de lei que torne crime hediondo roubar de velhinhos.
