O Centro Se Conquista com Convicção
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Artigos Exclusivos

O Centro Se Conquista com Convicção

Luiz Gastão, coordenador da Frente Parlamentar Católica
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Por Adolfo Sachsida*

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Há uma lição dura, repetida e ainda não aprendida na história recente da política brasileira.

Em 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018, o PSDB e o PFL perderam cinco eleições presidenciais seguidas apostando na mesma estratégia: já que os eleitores de direita votarão conosco no segundo turno para evitar o PT, a chave está em migrar para o centro — e, quando necessário, flertar com a centro-esquerda. No papel, a lógica parecia sedutora. Na prática, foi devastadora. Dois dos maiores partidos do país foram aniquilados eleitoralmente. E o episódio mais emblemático ficou gravado na memória política do Brasil: Aécio Neves, em plena campanha presidencial, declarando “não me empurrem para a direita” — e perdendo mesmo assim para Dilma Rousseff.

A lição não poderia ser mais clara. E, no entanto, a tentação de repeti-la permanece.

O erro está na premissa

O equívoco fundamental dessa estratégia reside numa confusão que parece simples, mas tem consequências devastadoras: acreditar que conquistar o eleitor de centro é o mesmo que adotar pautas de esquerda.

Não é.

O eleitor de centro não é um eleitor sem convicções à espera de um candidato igualmente sem convicções. Ele é um cidadão que quer segurança para sua família, oportunidades para seus filhos, um país onde seja possível trabalhar, prosperar e construir uma vida digna. Ele não busca um candidato que se desloque ideologicamente em sua direção. Ele busca um candidato capaz de demonstrar, com clareza e firmeza, que suas ideias são boas para o Brasil — inclusive para ele.

Essa distinção é essencial. E ignorá-la já custou caro demais.

A palavra-chave é convicção

Ronald Reagan costumava dizer que não se ganha eleição sendo uma versão pálida do adversário. E ele estava certo. Quando um candidato abandona suas crenças para imitar o concorrente, transmite uma mensagem perigosa — e fatal: a de que não acredita verdadeiramente naquilo que defende. E se ele próprio não acredita, por que o eleitor acreditaria?

Ninguém derrota o PT jogando o jogo do PT. Ninguém conquista a confiança do eleitor sendo uma cópia menos autêntica do adversário. O PT defende suas pautas há décadas, com paixão e consistência. Diante disso, um opositor que resolve adotar as mesmas bandeiras às vésperas de uma eleição não parece estratégico — parece oportunista. E o eleitor, que não é ingênuo, percebe.

A palavra-chave desta eleição — como de qualquer eleição em que valha a pena disputar — é convicção.

O que o povo realmente quer

Os brasileiros mais pobres não precisam de promessas impossíveis. Precisam de oportunidades reais. Precisam de um país onde seja mais simples trabalhar, empreender, investir e prosperar. A defesa da liberdade econômica, da redução de impostos, do fim do excesso de burocracia e do estímulo ao empreendedorismo não é uma pauta de privilegiados — é a pauta de quem depende do próprio esforço para construir uma vida melhor. É a pauta do pequeno comerciante, do trabalhador autônomo, da mãe que quer abrir um negócio, do jovem que busca seu primeiro emprego.

Da mesma forma, uma agenda firme de combate à criminalidade não é uma pauta de extremadireita — é uma pauta profundamente humana e popular. São os mais pobres, moradores das periferias e das comunidades mais vulneráveis, os que mais sofrem com a violência, a insegurança e a ausência do Estado em sua função mais básica e insubstituível: proteger o cidadão.

O voto das mulheres não se conquista com fotografias cuidadosamente produzidas ao lado de outras mulheres. Conquista-se demonstrando que a agenda que se defende — com convicção, não com cosmética — é capaz de garantir mais segurança, mais liberdade e mais oportunidades para elas e para suas famílias.

Ao longo da história, as sociedades que mais prosperaram foram aquelas que souberam combinar liberdade econômica e segurança para o povo. Esses não são princípios que servem a um grupo. São princípios que servem a toda a nação.

Coragem de ser o que somos

O desafio, portanto, não é abandonar nossas convicções para conquistar o centro. O desafio — e ele exige coragem — é demonstrar que nossas convicções são capazes de unir o país em torno de um projeto verdadeiro de prosperidade, justiça, segurança e liberdade.

O Brasil precisa de líderes que defendam com clareza aquilo em que acreditam. Líderes que tenham a coragem de dizer a verdade, mesmo quando ela é difícil. Líderes que ofereçam esperança sem vender ilusões — porque ilusão, o PT já oferece com maestria há décadas, e nesse campo não há como competir nem faz sentido tentar.

Não vamos incorrer no erro do PSDB e do PFL. Não vamos, mais uma vez, chegar ao eleitor de centro fingindo ser aquilo que não somos — e perder para quem, ao menos, é autêntico naquilo que defende de errado.

O caminho da vitória não passa pela rendição de princípios. Passa pela defesa corajosa, firme e apaixonada das ideias que nos fizeram fortes — ideias que, ao longo de séculos, se mostraram boas para homens e mulheres, ricos e pobres, jovens e idosos, brasileiros de todas as origens e de todos os cantos deste país.

É assim que se conquista o centro. Não cedendo. Convencendo.

Adolfo Sachsida (ex-Ministro de Minas e Energia; ex-Secretário de Política Econômica)*

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade