O empresário Alberto Leite, amigo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, passou a integrar indiretamente a sociedade do resort Tayayá ao assumir, em fevereiro de 2025, o controle do Fundo Arleen, que detinha participação minoritária no empreendimento no Paraná. A apuração é da Folha de São Paulo.
Não houve transação direta entre Alberto Leite e os irmãos de Toffoli. A família do ministro vendeu sua participação no Tayayá antes da entrada do empresário no fundo.
Em fevereiro de 2025, José Eugênio Toffoli e José Carlos Toffoli alienaram suas cotas no resort ao advogado Paulo Humberto Barbosa. Dias depois, Leite adquiriu o Fundo Arleen, que já era sócio minoritário do Tayayá desde 2021.
O Fundo Arleen havia integrado, por cerca de quatro anos, a sociedade do empreendimento ao lado dos irmãos de Toffoli e de um primo do ministro. O fundo não pertenceu à família do magistrado.
À época da aquisição do Arleen por Leite, não havia informações públicas sobre investigações envolvendo o Banco Master, nem Dias Toffoli era relator de processos relacionados à instituição.
O Arleen era anteriormente controlado pelo Fundo Leal, ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O fundo deixou essa estrutura após a venda ao empresário. O Arleen não é alvo de investigação.
Leite permaneceu no controle do fundo até julho de 2025, quando o Arleen vendeu sua participação no Tayayá a Paulo Humberto Barbosa, que se tornou o único proprietário do resort.
Segundo o empresário, a aquisição ocorreu por meio da Sombreiro Participações, descrita como braço imobiliário do grupo, em operação regular e registrada nos órgãos competentes.
“A participação minoritária do Fundo Arleen no Tayayá, de 15,66%, foi vendida […] com base em análise técnica pautada na geração de lucro no período. A operação foi regularmente registrada em todos os órgãos competentes, com total transparência”, afirmou.
Após a venda, o Fundo Arleen passou a deter apenas participações societárias em empresas do grupo de Leite e recursos financeiros da operação. O empresário informou que o fundo iniciou processo de liquidação em julho de 2025, concluído em dezembro do mesmo ano.
A relação de amizade entre Leite e Toffoli tornou-se pública em 2024, quando o ministro assistiu à final da Champions League, em Londres, em camarote do empresário. O STF informou ter custeado despesas de segurança.
Leite reconhece a amizade, mas afirma não haver vínculos comerciais com o ministro ou seus familiares. “Nem Alberto Leite nem quaisquer de suas empresas possuíram ou possuem vínculos societários ou relações comerciais com o ministro Dias Toffoli ou com seus familiares”, declarou.
O Banco Master é investigado em inquérito que apura a venda de créditos ao BRB. O caso tramita no STF sob relatoria de Dias Toffoli.
