Novo aciona TSE contra Lula por propaganda no Carnaval
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Novo aciona TSE contra Lula por propaganda no Carnaval

Partido pede multa de até R$ 9,65 milhões por propaganda eleitoral antecipada

Governo Lula repassa R$ 12 mi às escolas de samba do Rio
Foto: Reprodução/Instagram @academicosdeniteroi

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Partido Novo ingressou nesta terça-feira (10) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma representação por propaganda eleitoral antecipada contra o Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a escola de samba Acadêmicos de Niterói.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A ação questiona o samba-enredo escolhido pela agremiação para o Carnaval de 2026, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que homenageia diretamente o atual presidente da República, pré-candidato à reeleição.

Para o Novo, o desfile extrapola os limites de uma manifestação cultural e configura propaganda eleitoral extemporânea, ao associar a trajetória política de Lula a elementos típicos de campanhas eleitorais.

“O PT confunde propositalmente o público e o privado toda hora. Na verdade, o que Lula faz é sequestrar o Estado para seus próprios fins”, afirmou o líder do Novo na Câmara, deputado Marcel van Hattem. Segundo ele, o caso envolve “campanha antecipada claríssima com dinheiro público”.

Van Hattem também destacou a ligação política entre a escola e o partido do presidente. “Quando o dirigente máximo da agremiação é vereador pelo mesmo partido do homenageado, a linha entre manifestação cultural e promoção política se torna extremamente tênue”, disse.

O parlamentar lembrou que a bancada do Novo já acionou o Tribunal de Contas da União para questionar o uso de recursos públicos destinados à escola. “O Novo acionou o TCU para que o dinheiro público não possa ser utilizado nessa promoção pessoal e agora está acionando a Justiça Eleitoral para que julgue a evidente campanha antecipada promovida pelo governo federal”, afirmou.

Na petição, o partido sustenta que o enredo faz referências diretas à polarização das eleições de 2022, utiliza jingles históricos do PT, menciona o número de urna da sigla e emprega expressões que, segundo a legenda, equivalem a pedido explícito de voto.

A ação também aponta que o presidente de honra da Acadêmicos de Niterói, Anderson Pipico, exerce mandato de vereador pelo PT em Niterói (RJ), o que, para o Novo, afasta qualquer alegação de neutralidade artística na escolha do enredo.

“A legislação eleitoral brasileira é rigorosa ao coibir campanha antecipada e o abuso de poder econômico e político”, afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro. Para ele, “não é razoável tratar como normal, em ano eleitoral, o desfile de uma escola que se autodefine como petista e recebe recursos vultosos de um governo comandado pelo próprio PT”.

Outro ponto central da representação é o uso de verbas públicas. Segundo o partido, a escola pode receber até R$ 9,65 milhões em subvenções das três esferas de governo, incluindo um aporte de R$ 1 milhão da Embratur, com interveniência do Ministério da Cultura.

O Novo também destaca que a Acadêmicos de Niterói estreia no grupo especial e abrirá os desfiles no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, bem público de uso comum, com ampla transmissão em rede nacional. “Esse conjunto de ações só reforça o caráter eleitoral da homenagem e evidencia o prévio conhecimento e anuência do presidente Lula”, disse Van Hattem.

No pedido, o partido solicita tutela de urgência para impedir o uso do samba-enredo no desfile de 2026, além da proibição da utilização de trechos da música em qualquer forma de propaganda partidária ou eleitoral. Também requer a remoção imediata de conteúdos já divulgados nas plataformas digitais.

Caso o TSE reconheça a irregularidade, o Novo pede a aplicação de multa com base no custo total da suposta propaganda, que pode alcançar o valor integral das verbas públicas destinadas à escola. “O caso representa um precedente inédito, ao envolver a instrumentalização de uma das maiores manifestações culturais do país como plataforma de promoção político-eleitoral em ano de eleição presidencial”, afirmou Eduardo Ribeiro.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade