País enfrenta crise após manifestações contra corrupção e censura às redes sociais
Vinte e sete pessoas foram presas entre a noite de terça-feira (9) e a manhã desta quarta-feira (10) no Nepal, após uma nova onda de protestos liderados por jovens da chamada “Geração Z” se tornar violenta em várias regiões do país, incluindo a capital Katmandu. Segundo o jornal The Himalayan Times e a Agência ANI, os detidos estariam envolvidos em saques, incêndios e atos de vandalismo durante os confrontos.
As forças de segurança, com apoio do Exército, atuaram com caminhões de bombeiros para conter os focos de incêndio, especialmente no corredor Gausala-Chabahhil-Bouddha, onde também foram recuperadas 3,37 milhões de rúpias nepalesas em dinheiro roubado.
De acordo com o mesmo veículo, 31 armas de fogo foram apreendidas (23 em Katmandu e oito em Pokhara), além de carregadores e munições. As autoridades também confirmaram que 23 policiais e três civis ficaram feridos e estão sendo tratados em hospitais militares.
Toque de recolher nacional e renúncia do premiê agravam cenário político
A crescente tensão levou o Exército do Nepal a prorrogar o toque de recolher em todo o país. Em nota oficial, a Diretoria de Relações Públicas e Informação afirmou que a medida permanece em vigor até as 17h desta quarta-feira (10), com nova etapa prevista a partir das 6h de quinta-feira (11). O Exército alertou que “indivíduos e grupos fora da lei” estariam se infiltrando nas manifestações para praticar crimes como saques, incêndios e até tentativa de estupro.
“Como vários indivíduos e grupos ainda estão se infiltrando e cometendo atos de vandalismo, incêndio, saques, ataques violentos e tentativa de estupro em nome do movimento (…) o toque de recolher seguirá, e novas informações serão divulgadas conforme a análise da situação”, informou o comunicado.
O cenário de instabilidade culminou na renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli na terça-feira (9). As manifestações, que começaram em 8 de setembro, foram motivadas pela decisão do governo de proibir o uso de grandes plataformas de redes sociais, sob a justificativa de combater a evasão fiscal e garantir a cibersegurança.
A resposta da população veio em forma de protestos massivos, com demandas por maior transparência, combate à corrupção e respeito à liberdade de expressão.
Por hora, os protestos já contabilizam 19 mortos e cerca de 500 feridos. Entre os episódios mais graves estão o incêndio que destruiu completamente o Hotel Hilton, em Katmandu, e os ataques ao palácio presidencial “Sital Niwas” e à sede do Kantipur Media Group. A residência do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal também foi incendiada. Sua esposa, Rajyalaxmi Chitrakar, morreu após não resistir às queimaduras.
O Exército reiterou o pedido de colaboração da população e expressou pesar pelas perdas humanas e materiais: “Manifestando profundo pesar pelas perdas de vidas e bens, pedimos a todos que colaborem nos esforços para conter atividades criminosas”, concluiu a nota.
