Durante o programa ALive desta segunda-feira (09), o procurador César Dario Mariano disse que não há justificativa para o contrato de R$ 129 milhões firmado entre a advogada Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. “Não há como explicar um valor desse”, afirmou.
Mais cedo, a esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes divulgou nota comentando o contrato pela 1ª vez. Ela alega que seu escritório prestou consultoria jurídica ao banco, com a produção de 36 pareceres e a realização de 94 reuniões.
O acordo previa atuação junto a quatro órgãos do Executivo: Banco Central do Brasil, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal do Brasil. No entanto, nenhum deles registra atuação do escritório.
“Eu acredito que ficou pior essa explicação, porque ficou evidente que não houve atuação judicial, que é a mais cara”, afirmou Dario. “Não justifica de maneira nenhuma. Nem um milhão, nem quinhentos mil, não é de jeito nenhum”.
“Se nós tomarmos todos esses pareceres, vamos colocar um parecer por um milhão de reais, o que eu não acredito de maneira nenhuma, porque não existe um parecer com esse valor aqui no Brasil, a não ser em situações excepcionalistas. Ficariam 35 milhões”, afirmou, destacando que isso seria “se fosse um parecer para a pessoa não ser condenada a 50 anos de cadeia”.
“Agora, pareceres trabalhistas, compliance, outros tipos de pareceres, são pareceres administrativos para serem empregados na empresa, consultivos. Quer dizer, não tem justificativa”, continuou o procurador.
“Normalmente, a atuação judicial que é cara, nos tribunais superiores, sustentação oral, propositura de ação, contestação, defesas… nada justifica a elaboração de código de ética [por Viviane], que parece que não valeu para nada, porque ética é o que não tinha o Vorcaro e as demais pessoas que compunham o seu banco”.
Para Dario, “não há como explicar um valor desse”: “Não há nenhuma banca no Brasil, por muito mais especializada do que eles, que justifique um valor desse. Eu acredito que no mundo, se nós for procurar no mundo, eu acredito que não exista um contrato com valor desse tipo”.

Investigação tem que ir além do Master!
Ao comentar o caso Master no ALive de hoje, o apresentador Claudio Dantas afirmou que uma rede “complexa e fortíssima”, envolvendo “agentes do mercado financeiro, agentes políticos e agentes regulatórios”, “sustentou o Master e o Vorcaro” por anos.
Ele defendeu que instituições como BTG Pactual, XP Inc., Nubank, C6 Bank e Bradesco também sejam investigadas por envolvimento no caso, por terem vendido “papeis podres” do banco de Vorcaro.
“Onde é que estão os 50 bi? Ué, pergunta para os corretores, meteram esse dinheiro no bolso também. Inclusive, os donos dos CDBs, a lista, quando o liquidante pediu para o Master a lista dos credores, que são os donos dos papéis, o Master não tinha”, continuou. “Ele teve que pedir para as corretoras”.
O banco teria emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovar capacidade de pagamento, usando ativos inexistentes adquiridos da empresa Tirreno para inflar artificialmente o patrimônio.
“Então, assim, o Master era o quê? Era só um intermediário do negócio”, afirmou o jornalista. “Isso demonstra, de forma muito concreta, que essa investigação precisa ser conduzida, primeiro, por policiais especializados em mercado, procuradores especializados em mercado. E ela precisa, ela não pode ser direcionada e focada apenas no agente [Master]”.
“Ela tem que, ela precisa envolver todos os agentes. A gente, para conhecer a verdade dessa história, a gente precisa entender todo o contexto”, finalizou o Dantas.

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