Na ONU, embaixador brasileiro condena intervenção dos EUA na Venezuela
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Na ONU, embaixador brasileiro condena intervenção dos EUA na Venezuela

O representante ressaltou que o Brasil se opõe à ideia de que "os fins justifiquem os meios. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O representante ressaltou que o Brasil se opõe à ideia de que "os fins justifiquem os meios. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Durante reunião de urgência, o embaixador brasileiro Sérgio Danese defendeu a paz internacional

O Brasil condenou, nesta segunda-feira (5), a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ex-ditador do país, Nicolás Maduro. A declaração foi feita pelo embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

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Danese destacou que a operação norte-americana, que envolveu bombardeios aéreos e a captura de Maduro, representa uma grave violação da soberania da Venezuela e um precedente perigoso para o futuro das relações internacionais.

“O Brasil rejeita categoricamente a intervenção armada, que viola a Carta das Nações Unidas e o direito internacional. O uso da força na nossa região evoca um passado que acreditávamos superado, onde intervenções militares resultaram em regimes autoritários e violações de direitos humanos”, afirmou o embaixador.

O representante ressaltou que o Brasil se opõe à ideia de que “os fins justifiquem os meios”, um raciocínio que, segundo ele, carece de legitimidade e abre precedentes para que os mais fortes definam o que é justo ou injusto.

“Essa lógica é um risco para a paz e a segurança globais”, completou.

Danese também alertou para os riscos que o ataque representa para a paz na América Latina e no Caribe, regiões que, segundo ele, escolheram a via pacífica.

“O Brasil acredita que a solução para a crise na Venezuela deve ser encontrada dentro do país, respeitando a Constituição e a autodeterminação do povo venezuelano”, declarou.

Além disso, fez um apelo à ONU para que se posicione de maneira firme e clara, para evitar que a “lei da força” prevaleça sobre a “força da lei”.

Na reunião, a intervenção dos EUA gerou reações divergentes. O embaixador dos Estados Unidos, Mike Waltz, defendeu a ação, afirmando que Maduro é um “presidente ilegítimo” e um “traficante de drogas”.

“Ele não é um líder de Estado legítimo”, declarou Waltz, referindo-se à manipulação do sistema eleitoral venezuelano para perpetuar Maduro no poder.

A operação dos Estados Unidos, que ocorreu na madrugada de sábado (3), envolveu cerca de 150 caças e helicópteros militares e resultou na prisão de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. As tropas norte-americanas também atacaram alvos estratégicos no país, destruindo sistemas de defesa aérea venezuelanos.

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