Moses Rodrigues pede suspensão de deputados por ocupação da Mesa da Câmara
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

Moses Rodrigues pede suspensão de deputados por ocupação da Mesa da Câmara

Relator recomenda afastamento por dois meses de Marcel van Hattem, Zé Trovão e Marcos Pollon; decisão ainda será votada no Conselho de Ética

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O relator no Conselho de Ética da Câmara, Moses Rodrigues (União-CE), apresentou nesta terça-feira (28) parecer favorável à suspensão, por dois meses, dos mandatos dos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS).

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A recomendação está relacionada à ocupação da Mesa Diretora da Câmara durante um protesto realizado em 6 de agosto de 2025. Na ocasião, os parlamentares teriam impedido o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de assumir a condução da sessão. O impasse se estendeu por cerca de 40 horas e comprometeu o andamento das atividades legislativas.

No parecer, o relator afirmou que a punição busca sinalizar limites institucionais. Segundo ele, a medida é necessária para que “fique claro que este Parlamento não tolera o cometimento de infrações dessa natureza”.

Rodrigues também avaliou que a conduta dos deputados “trata-se de ato material que visava impedir, e não viabilizar, o processo legislativo”.

O relatório rejeitou argumentos preliminares das defesas que apontavam supostos vícios formais nas representações. De acordo com o deputado, a Corregedoria da Câmara já havia validado a tramitação ao concluir que “a acusação foi corretamente descrita” e que o caso está “apto a prosseguir”.

A análise do relator destaca ainda que há elementos objetivos para sustentar a acusação. Conforme o documento, a infração está “comprovada de maneira inequívoca através dos registros audiovisuais”, que mostram a ocupação de cadeiras da Mesa Diretora e a obstrução do acesso à presidência da sessão.

As representações tiveram origem em pedidos de parlamentares da base governista, que apontaram quebra de decoro. Entre os episódios citados, estão a ocupação de assentos da cúpula da Casa e a formação de barreiras físicas que teriam impedido o acesso de Motta à cadeira da presidência.

Os três deputados negam irregularidades. Zé Trovão afirmou que a acusação “carece de precisão” e não retrata fielmente os fatos. Marcel van Hattem sustenta que a ação ocorreu como forma de protesto político e que estaria amparada por instrumentos regimentais. Já Marcos Pollon argumenta que sua atuação está protegida pela imunidade parlamentar.

Após a leitura do parecer, van Hattem classificou a possível punição como “perseguição sem fim” e defendeu que a ocupação ocorreu de maneira “pacífica”. O deputado também convocou mobilização para tentar barrar o relatório.

O parecer ainda precisa ser analisado e votado pelo Conselho de Ética. A deliberação está prevista para os próximos dias.

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