Câmara aprova projeto que proíbe sigilo sobre gastos públicos com viagens oficiais
Brasília, Terça, 07 de julho de 2026
Política

Câmara aprova projeto que proíbe sigilo sobre gastos públicos com viagens oficiais

Proposta altera Lei de Acesso à Informação (LAI) e estabelece punições para ocultação de atos ilegais

Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (21) um projeto de lei que proíbe a imposição de sigilo sobre despesas relacionadas a viagens e custeio da administração pública federal. A proposta, que agora será analisada pelo Senado, altera regras da Lei de Acesso à Informação (LAI) e amplia instrumentos de fiscalização sobre o uso de recursos públicos.

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De autoria dos deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Marcel van Hattem (Novo-RS), o texto foi relatado pelo líder do Partido Liberal na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A iniciativa ganhou força após questionamentos da oposição sobre negativas do governo do presidente Lula (PT) em fornecer informações sobre gastos oficiais, incluindo despesas ligadas a agendas da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

Pela proposta aprovada, despesas com diárias, passagens, hospedagem, alimentação, locomoção, aquisição de bens, gastos de representação e pagamentos feitos por suprimento de fundos, como cartões corporativos, não poderão ser classificadas como sigilosas.

Ao defender a medida, Sóstenes afirmou que a proposta busca reforçar mecanismos de transparência. “A transparência constitui regra geral na atuação administrativa, sendo o sigilo medida excepcional, admitida apenas quando estritamente necessária à proteção da segurança da sociedade ou do Estado”, declarou.

O projeto estabelece, porém, exceções para informações que possam comprometer a segurança do presidente da República, do vice-presidente e de seus familiares. Dados operacionais relacionados a deslocamentos, como detalhes de logística e rotas, poderão permanecer protegidos. Os gastos, no entanto, deverão continuar públicos.

Durante a discussão em plenário, parlamentares governistas e oposicionistas divergiram sobre o histórico de aplicação de sigilos em gestões anteriores.

Além das mudanças na LAI, a proposta altera a Lei de Improbidade Administrativa e a Lei do Impeachment. O texto passa a considerar improbidade administrativa e crime de responsabilidade a imposição de sigilo para obtenção de vantagem pessoal, benefício a terceiros ou ocultação de atos ilegais.

Outro ponto aprovado prevê que pedidos de revisão de classificações sigilosas poderão perder efeito automaticamente caso a Comissão Mista de Reavaliação de Informações não se manifeste em até 120 dias. O texto também amplia a possibilidade de atuação do Congresso Nacional na revisão dessas decisões.

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