A entrada do senador Sergio Moro (PL-PR) no Partido Liberal desencadeou uma crise interna no Paraná e levou prefeitos da legenda a anunciarem, nesta quinta-feira (26), uma desfiliação coletiva. O movimento foi articulado após a confirmação de que o ex-juiz será o nome do partido na disputa pelo governo estadual em 2026.
O anúncio foi feito pelo prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Marcel Micheletto (PL-PR). Segundo ele, “todos os 53 prefeitos” da sigla devem deixar o partido, sendo que ao menos 49 já confirmaram a saída.
Micheletto também reforçou o alinhamento do grupo com o governo estadual. “Aqui ninguém vai ser ingrato, e ninguém vai soltar a mão do governador Ratinho”, afirmou, em referência ao apoio ao chefe do Executivo, Ratinho Junior (PSD-PR).
O movimento também teve impacto na direção da legenda. O deputado federal Fernando Giacobo (PL-PR) deixou a presidência estadual do partido e anunciou sua saída. Durante o ato, ele criticou a filiação de Moro e relembrou episódios envolvendo o ex-juiz e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontando incompatibilidade política.
A filiação de Moro foi oficializada em Brasília com o respaldo de integrantes da família Bolsonaro. Na ocasião, o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) declarou apoio ao nome do colega para o governo do Paraná.
Nos bastidores, prefeitos afirmam que a decisão do partido não foi debatida com as bases municipais e criticam o que consideram distanciamento de Moro das pautas locais.
O racha ocorre em meio à reorganização política no estado. Após a movimentação, Ratinho Junior (PSD-PR) desistiu de disputar a Presidência da República e confirmou que permanecerá no cargo até o fim do mandato, com foco na sucessão estadual.
Ainda não há definição sobre o destino partidário dos prefeitos que deixam o PL.
