Pesquisa Quaest aponta Moro isolado na liderança para as eleições do ano que vem
O senador Sergio Moro (União Brasil) confirmou nesta quinta-feira (4) que assumirá o comando do partido no Paraná, em articulação com o presidente nacional da sigla, Antonio Rueda. A mudança representa uma vitória política para o ex-juiz da Lava Jato, que enfrenta resistências internas, mas não elimina os obstáculos para viabilizar sua candidatura ao governo estadual em 2026.
O União Brasil no Paraná era controlado pela família Francischini. Em carta divulgada por Moro nas redes sociais, o deputado federal Felipe Francischini anunciou sua renúncia à presidência da legenda, afirmando sair “com sentimento de missão cumprida”. Moro agradeceu o “gesto corajoso e altruísta” do parlamentar.
Pesquisas reforçam o favoritismo do senador. Levantamento Genial/Quaest de 21 de agosto mostra Moro com 38% das intenções de voto, contra 8% de Paulo Martins (Novo), 7% de Enio Verri (PT) e 6% de Guto Silva (PSD). Ainda assim, Moro terá de lidar com a reorganização de rivais no campo conservador. Martins, vice-prefeito de Curitiba, é apadrinhado por Deltan Dallagnol e tem proximidade com o governador Ratinho Junior (PSD).
No primeiro semestre, Ratinho Junior trocou o representante do União Brasil no secretariado, em gesto interpretado como recado ao senador. Além disso, a chapa de Rosangela Moro à vice-prefeitura de Curitiba terminou com apenas 6,49% dos votos em 2024, resultado visto como revés para o grupo.
Outro desafio é a federação com o PP. Mesmo após a confirmação da mudança no comando, os progressistas divulgaram nota afirmando não haver consenso sobre a presidência da federação no Paraná, o que pode dificultar o registro de candidatura. O PP, sob liderança de Ricardo Barros, mantém influência no governo estadual e cobra espaço nas negociações.
O cenário mostra o equilíbrio delicado que Moro terá de administrar. De um lado, o favoritismo nas pesquisas lhe garante vantagem inicial. De outro, adversários como Paulo Martins, aliado de Ratinho, e as tensões com o PP mostram que o caminho até o Palácio Iguaçu será marcado por disputas internas e rearranjos políticos.
