Moraes diz que organizações criminosas estão infiltradas na política do Rio
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes diz que organizações criminosas estão infiltradas na política do Rio

Moraes afirma que PF apontou Bacellar em organização criminosa; presidente da Alerj é preso por suspeita de vazamento da Operação Zargun

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Presidente da Alerj é preso na Operação Unha e Carne por suspeita de vazar ações sigilosas ligadas ao CV

O ministro Alexandre de Moraes afirmou que a Polícia Federal identificou a participação de Rodrigo Bacellar (União-RJ) em uma organização criminosa e que as organizações criminosas realizaram uma “infiltração política” no Rio, com “capacidade de corromper agentes públicos e políticos em escala.”

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Trecho de decisão do Moraes
Trecho de decisão do Moraes

O presidente da Alerj foi preso nesta quarta-feira (3) na Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas e o repasse indevido de dados a investigados.

Segundo a PF, o vazamento interferiu diretamente na Operação Zargun, deflagrada em setembro, que prendeu o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva (MDB), o TH Joias. No inquérito, os agentes registram que “tais elementos reforçam a periculosidade da organização criminosa investigada, sua profunda infiltração no poder público fluminense e a necessidade de aprofundamento das investigações”.

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Mensagens obtidas pela PF mostram que, às 6h03 do dia da operação, TH enviou a Bacellar imagens da equipe policial dentro de sua casa e informou a troca de aparelho telefônico. Após o alerta, o deputado organizou a retirada de móveis e objetos para destruir provas, usando até um caminhão-baú. Em um vídeo enviado ao novo número, TH pergunta a Bacellar se deveria retirar equipamentos da residência, e o presidente da Alerj responde: “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”.

A PF afirma que as conversas indicam envolvimento direto de Bacellar no encobrimento das ações de TH. O inquérito registra que o presidente da Alerj sabia da troca do telefone e orientava o investigado sobre a remoção de itens antes da chegada da polícia.

Em decisão enviada ao STF, Moraes afirmou ver “fortes indícios” de que Bacellar atuava para obstruir investigações relacionadas a facções criminosas, inclusive com influência sobre órgãos do Executivo estadual. O ministro determinou também o afastamento imediato do parlamentar da presidência da Alerj.

As investigações destacam que a relação entre Bacellar e TH revela a existência de uma estrutura paralela infiltrada nas instituições fluminenses, voltada a inviabilizar operações policiais contra grupos como o Comando Vermelho. Moraes ressaltou ainda que facções criminosas ampliaram sua presença política nos últimos anos, alcançando câmaras municipais, a Alerj e estruturas federais.

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