Barros foi denunciado por participar de um plano para manter Jair Bolsonaro no cargo após a derrota nas eleições de 2022
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ironizou a acusação de parcialidade feita pela defesa do ex-major do Exército Ailton Moraes Barros, nesta terça-feira (14). Durante a leitura do relatório do processo sobre a tentativa de golpe de Estado, Moraes afirmou que o argumento “não poderia faltar nas alegações finais”.
Barros foi denunciado por participação no plano para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no cargo após a derrota nas eleições de 2022.

O ex-major responde por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
A defesa alegou violação do princípio do juiz natural, que garante julgamento por magistrado imparcial. Também negou que o ex-major tenha recebido ordens do general Braga Netto, condenado no mesmo processo a 26 anos de prisão.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Barros integra o núcleo 4 do inquérito, o da desinformação, formado por militares e policiais acusados de divulgar notícias falsas e atacar instituições.
Os demais réus são Ângelo Denicoli, Giancarlo Rodrigues, Guilherme Almeida, Reginaldo Abreu, Marcelo Bormevet e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.
Coordenação e ataques
A PGR sustenta que o grupo usou a estrutura da Abin para ações de contrainteligência e monitoramento. O policial federal Marcelo Bormevet teria pedido o uso do software First Mile para vigiar aliados e opositores.
As informações abasteciam perfis falsos e contas ligadas à disseminação de conteúdo.
O uso do programa contra o ministro Roberto Barroso foi descartado após reconhecimento da ilegalidade. Mesmo assim, o grupo produziu e divulgou materiais falsos sobre Barroso e Luiz Fux.
