A Primeira Turma do STF ouviu nesta quarta-feira (22) oito testemunhas de defesa do tenente-coronel Mauro Cid, no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe em 2022. Todos os militares foram unânimes: Cid não era politizado, nunca tratou de política com colegas e sempre cumpriu suas funções com excelência.
O general João Batista Bezerra afirmou que nunca conversou com Cid sobre política ou golpe de Estado. “Nesse período que trabalhamos juntos, nunca tivemos nenhum episódio dessa natureza. Nossos temas eram da esfera profissional“, declarou. Disse ainda que Cid era bem quisto pela tropa.
O general Edson Dieh Ripoli reforçou a mesma linha. Visitou Cid na prisão em 2023 para prestar solidariedade. Segundo ele, o tenente-coronel sempre teve comportamento exemplar. “Cumpria rigorosamente as missões. Nunca falou de golpe ou atentado à democracia. Se tivesse feito isso, eu o advertiria. Temos que seguir a Constituição”, afirmou Ripoli, que foi chefe de gabinete do Ministério da Defesa entre 2019 e 2020.
O general Julio Cesar de Arruda, por sua vez, foi direto: Cid não era um militar politizado. A relação entre eles era cordial e de amizade, especialmente por ser amigo do pai de Cid.
Já o coronel Fernando Linhares Dreus descreveu Cid como um “militar exemplar”, que jamais discutiu política nas atividades de trabalho.
O sargento Luís Marcos dos Reis negou qualquer envolvimento ou contato com Cid após os eventos de 8 de janeiro. Disse também que nunca foi procurado para financiar qualquer ato.
O capitão Adriano Alves Teperino disse que não tratou de plano de golpe com Cid. Afirmou que o colega nem tempo tinha para apoiar manifestações. Quando o visitou na prisão, conversaram apenas sobre trabalho e família.
O capitão Raphael Maciel Monteiro também foi ouvido, mas seu depoimento não trouxe menções a envolvimento político por parte de Cid.
A única ausência foi do general Flávio Alvarenga Filho, dispensado pela defesa após não comparecer.
Na quarta-feira (21), o brigadeiro Baptista Júnior afirmou em depoimento que Mauro Cid não participava das reuniões que discutiam a possibilidade de uma GLO e a segurança pública do país na transição de governo. As falas reforçam a tese de que Mauro Cid não participou de articulações políticas e tampouco esteve envolvido em qualquer tentativa de ruptura institucional.
