Washington pode barrar entrada de envolvidos com censura
O ex-presidente do Breakthrough Institute e coautor dos Twitter Files Brasil, Michael Shellenberger, afirmou que o Brasil é hoje o país com maior nível de censura no mundo. Durante sua participação no Fórum de Westminster sobre Liberdade de Expressão, em Londres, ele concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Claudio Dantas, ao deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-SP) e ao cientista político Eli Vieira. Benz classificou a situação brasileira como mais grave até mesmo do que a da Alemanha, tradicionalmente conhecida por seu rígido controle sobre conteúdos digitais.
Shellenberger destacou que o governo Trump cortou verbas de ONGs e instituições como a USAID, acusada de atuar como braço da CIA em ações de influência internacional, incluindo programas de fact-checking.
Durante a entrevista, Cláudio Dantas comentou que as pressões acontecem por meio de ações coordenadas.
“É quase diplomático. Você vai através da opinião pública, através da mídia, através das ONGs, vai construindo, é diferente do hard power, que são conceitos das relações internacionais. Hard power é a cavalaria, que é o que você tem de poder militar para poder entrar numa briga”, explicou.
Shellenberger afirmou ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, está pessoalmente envolvido nas tratativas sobre a questão da censura no Brasil e que há discussões avançadas sobre a possibilidade de negar vistos de entrada nos Estados Unidos a autoridades envolvidas em atos de repressão à liberdade de expressão. Ele citou nominalmente o ministro Alexandre de Moraes e alertou que as sanções podem se estender até a familiares de agentes da censura.
“A gente tem essa regra na lei para proibir pessoas que fazem a censura de entrar nos Estados Unidos. Eu acho muito importante”, disse Shellenberger, afirmando que o governo americano tem tratado o tema como prioridade dentro da chamada “Free Speech Diplomacy” (Diplomacia da Liberdade de Expressão).
Van Hattem indagou sobre o impacto que a luta contra a censura nos Estados Unidos teve sobre as eleições em 2024. ”Quanto você acha que essa censura nos Estados Unidos contribuiu para a eleição do Trump?”, questionou.
Para o ex-presidente do Breakthrough Institute não é fácil mensurar, mas a esquerda começou a ter uma postura diferente quando percebeu que os pedidos de censura não estavam sendo bem vistos.
”É difícil saber, mas a gente sabe que a eleição era apertada, né? […] A Kamala Harris tinha exigido mais censura antes, mas ela nunca falava disso durante as eleições. Começou a pegar mal para eles”, respondeu Shellenberg.
Durante a entrevista, Eli Vieira perguntou ao Shellenberg como o governo Trump enxerga as acusações de que as denúncias feitas por jornalistas e ativistas internacionais seriam uma ameaça à soberania do Brasil.
“Eu quero saber de você o seguinte, o discurso do regime de censura no Brasil tem sido que o nosso trabalho, o seu especialmente, foi uma ameaça à soberania brasileira. E o Donald Trump disse em Riad, na Arábia Saudita, que ele é um presidente não interventor. Então, como você vê, é algo do moderador sobre essa diplomacia da liberdade de expressão, não é algo que causaria que ele se retraia e não haja pela liberdade de expressão global”, questionou Eli.
Shellenberger reforçou que regimes autoritários frequentemente invertem responsabilidades, acusando críticos de ameaçar a soberania, como no caso brasileiro. Ele mencionou que os Twitter Files Brasil expuseram segredos do STF, informação relevante para os brasileiros.
Shellenberger também lembrou que a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante a liberdade de expressão, é um valor central para o Partido Republicano e, especialmente, para a base eleitoral de Donald Trump. Ele afirmou que o tema tem ganhado força entre os americanos e que até mesmo parte do eleitorado democrata já começa a se posicionar contra a censura.
Sobre o impacto da censura nas eleições americanas de 2024, Shellenberger disse que a rejeição a medidas de controle de conteúdo influenciou o resultado, embora difícil de mensurar. Ele observou que o apoio de democratas à censura caiu de 70% em 2023 para 58% em 2025, indicando mudança na percepção pública.
Assista à entrevista na íntegra:
