Senadoras e deputadas do PL reagem à operação da PF e acusam STF de abusos e perseguição política
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) reagiram publicamente nesta quinta-feira (18) à operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que impôs medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. As parlamentares denunciaram o que classificam como abuso de autoridade e afirmaram que Michelle Bolsonaro assume, a partir de agora, a liderança da oposição.
Damares, que esteve na casa dos Bolsonaro momentos antes da operação, afirmou que a ex-primeira-dama foi alvo de constrangimento. “Se era apenas para conduzi-lo, para colocar uma tornozeleira, por que entraram na casa fortemente armados?”, questionou. “Encontraram lá uma mãe que, como uma leoa, brigou por sua filha e que, como esposa, brigou por seu lar.”
A senadora disse ainda que “Bolsonaro vai se calar por imposição da Suprema Corte”, mas que Michelle assumirá a liderança do campo conservador. “Somos mais de 50% da população brasileira e eu quero falar com as mães, as mulheres, as donas de casa. O Brasil ganhou uma grande líder hoje.”
Em coletiva no mesmo dia, a deputada Bia Kicis afirmou que o momento é de “escalada violenta de abuso de autoridade” e classificou a operação como “barbárie”. “O presidente Bolsonaro não cometeu crime algum. O único crime que ele possa ter cometido foi ter se oposto a esse regime. Estamos vivendo um momento em que qualquer opositor pode ser censurado ou preso a qualquer momento, sem motivo”, disse.
Vice-líder da minoria na Câmara, Kicis criticou a condução das investigações sobre suposta tentativa de golpe e disse que a denúncia contra Bolsonaro não se sustenta. “Essa história de golpe é uma ficção. A denúncia apresentada não se sustenta senão em narrativas e ilações.”
A deputada também afirmou que o Brasil vive uma crise institucional sem precedentes: “Hoje, nós só podemos nos envergonhar do regime que rege o nosso país. Mas além da vergonha, nós temos coragem e determinação. Não vamos desistir.”
Kicis anunciou ainda que a bancada do PL vai solicitar o fim do recesso branco e pediu uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para cobrar uma resposta institucional. “Queremos que esta Casa não se curve à ditadura da toga.”
As declarações ocorrem no contexto da decisão do ministro Alexandre de Moraes no âmbito da PET 14.129/DF, que impôs a Bolsonaro medidas restritivas por indícios de coação, obstrução de justiça e atentado à soberania nacional. A decisão também proíbe o ex-presidente de manter contato com autoridades estrangeiras e de usar redes sociais.
