A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a criticar nesta segunda-feira (22) o ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), ao comentar declarações recentes em que ele equiparou politicamente o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As manifestações reacendem uma disputa que, no ano passado, provocou desgaste entre integrantes da família Bolsonaro e resultou na suspensão de negociações entre o PL e o grupo político de Ciro no Ceará.
Em publicações feitas nas redes sociais, Michelle compartilhou conteúdos de apoiadores que defendiam sua posição contrária à aproximação entre o Partido Liberal e o ex-governador cearense. Um dos vídeos reproduzidos por ela afirmava que a ex-primeira-dama “tinha razão” ao rejeitar as conversas para uma eventual aliança eleitoral.
A reação ocorreu após entrevista concedida por Ciro Gomes à revista Veja. Ao analisar os governos de Lula e Bolsonaro, o ex-ministro declarou: “Fui candidato a presidente disputando com Lula e Bolsonaro. Tirando a estética, os dois são rigorosamente iguais”.
Michelle respondeu às declarações ao publicar uma mensagem em que questiona os objetivos das articulações políticas discutidas no Ceará. “Nunca foi para tirar o PT, e sim por projetos de poder”, escreveu. Em seguida, informou que pretende divulgar nos próximos dias um vídeo detalhando sua versão sobre os acontecimentos envolvendo as negociações no estado.
A ex-primeira-dama também compartilhou outro trecho da entrevista em que Ciro descarta qualquer alinhamento nacional com o bolsonarismo. “A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional”, afirmou o ex-ministro.
O episódio remete ao impasse registrado no fim de 2025, quando dirigentes do PL no Ceará, liderados pelo deputado federal André Fernandes, buscaram construir uma composição com Ciro para fortalecer a oposição ao governador Elmano de Freitas.
Na época, Michelle manifestou publicamente sua rejeição à aliança, alegando que Ciro havia feito sucessivos ataques a Jair Bolsonaro ao longo dos últimos anos. A posição gerou forte reação dentro do próprio grupo político do ex-presidente.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a atitude da ex-primeira-dama como “autoritária” e afirmou que ela contrariava uma estratégia que contava com a concordância prévia de Jair Bolsonaro. Já Eduardo Bolsonaro (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) saíram em defesa das tratativas conduzidas pelo diretório cearense do partido.
A crise interna, contudo, foi amenizada dias depois, quando Flávio se retratou publicamente. Pouco tempo depois, o PL optou por interromper as negociações com Ciro Gomes, encerrando as discussões sobre uma possível aliança eleitoral no Ceará.
